Desejo saciado, subi à plataforma superior da Rodoviária onde os passageiros aguardavam o embarque, a fim de comprar meu jornal. “Brasil vence a Inglaterra nas quartas de final da Copa do Mundo”, era a manchete principal. A partida se realizara naquela madrugada e eu estava demasiado exausto para esperar acordado, que ela começasse. Com o jornal dobrado em uma das mãos e as chaves do carro em outra, saí da banca em direção ao estacionamento da Rodoviária. Foi quando a vi pela primeira vez. Sofri um impacto indescritível naquele momento. Não tive um segundo de dúvidas sequer: era a mulher mais linda com a qual eu havia me encontrado até aquele momento. Seu rosto era um desenho perfeito, obra de arte viva, falante, colorida! Seus longos cabelos negros caíam-lhe lisos, puros e morriam leves pouco acima da cintura. A pele que modelava seu corpo impecável não era menos impecável. Pele de anjo, de anjo voluptuoso, filho de Cupido. Seus olhos eram verdes, de um verde ainda não visto por mim. Seus olhos falavam, intimidavam pelas formas e cor, seduziam pela expressão, qualquer uma que fosse ela! Percebi que aquele anjo estava irritado com algo, esbravejando de maneira doce ao celular, palavras que não compreendi. Grande paradoxo num ser só... doçura raiva! Parei ali admirando a criatura, encostado no corrimão da escada que dava acesso à uma das plataformas de embarque. São, eu não me atreveria nunca a me aproximar daquele ser. Mas a beleza daquela mulher havia me embriagado. Movido por uma emoção, emoção que não sei definir exatamente qual, fui me aproximando passo a passo. Ela segurava uma bolsa e tinha ao lado uma bagagem de rodas. Com a outra mão segurava o celular. Esperei que ela terminasse para que eu pudesse lhe falar. O quê? Eu não sabia...