As Musas
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Poesia, Não Ficção, Artes
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Sinopse

O

ano era 1975 quando eu escrevi minha primeira poesia. Chamava-se “INGRATA”, e está aqui no livro. Dediquei à minha primeira namorada, Marcia Janete. Mais tarde ela me deixaria, afinal, ela era uma mulher de dezesseis anos, e eu um garoto de quinze somente. As mulheres crescem mais rápido.

Sempre me perguntam de onde vem minha veia poética e artística, e sempre respondo a mesma coisa, a responsável é sem dúvidas minha mãe. Maria Aparecida Francelino, a Dona Cidinha. Uma mulher de extrema fibra e coragem. Mas uma alma sofrida e doce. Um espírito lírico.

Minha vida no teatro e na música só aguçou e melhorou a minha poesia. “Oh flor dourada dos jardins resplandecentes, oh linda rosa dos meus sonhos, tão fiel, tu que visitas o meu sono frequentemente e que floresce os verdes campos de papel...” é uma linguagem bastante rebuscada e lírica para um jovem de apensas dezessete anos. Mas com esta idade eu devorava os clássicos do Romantismo brasileiro. Assim, posso dizer sem medo de errar que minhas influências foram estes poetas acometidos e enlouquecidos pelo vinho do chamado “Mal do Século”: Fagundes Varela, “Na tênue casca de um verde arbusto, escrevi teu nome e depois parti, foram os anos, foram-se os dias, foram-se os meses e acho-me aqui. Mas ai, o arbusto se fez tão alto, teu nome erguendo e não mais vi. E nestas letras que aos céus subiram meus lindos versos de amor perdi.”. Reconhecia a mim mesmo nos versos do poeta carioca. Casimiro de Abreu foi também uma influência de peso: “...Ai! loucos sonhos de mancebo ardente! Esperanças altas… Ei-las já tão rasas!… Pombo selvagem, quis voar contente… Feriu-me a bala no bater das asas! Dizem que há gozos no correr da vida… Só eu não sei em que o prazer consiste! — No amor, na glória, na mundana lida, foram-se as flores — a Minh ‘alma é triste!”. Entretanto, a maior de todas as minhas influências foi sem dúvida alguma o Poeta Condoreiro. Castro Alves acompanhou a minha vida desde a minha tenra idade. Minha mãe recitava docemente o poema “As duas flores”, e me fez, ainda infante decorar o poema inteiro; “São duas flores unidas. São duas rosas nascidas, talvez do mesmo arrebol. Vivendo no mesmo galho, da mesma gota de orvalho, do mesmo raio de sol...”.

Estas poesias destes grandes poetas tiveram maior projeção na minha carreira como ator, muito por conta do Grupo Literário LETRAVIVA, que ajudei a fundar no final dos anos setenta e começo dos anos oitenta. Ao lado de grandes poetas os Recitais Abertos de Poesia eram um brinde à declamação. E nos palcos do Anfiteatro da Biblioteca Municipal de Guarulhos, que depois receberia o nome de um dos fundadores do grupo Letraviva, Pedro Dias Gonçalves, poetas e declamadores desfiavam lirismos e doçuras. Eram tardes memoráveis de domingos.

Nos saraus e recitais eu me dedicava a imortalizar as grandes obras dos poetas. Principalmente Castro Alves, e assim fiquei muito conhecido, declamando as suas obras. A mais pedida e aplaudia com certeza era “Navio Negreiro”.

Os livros foram fruto de uma cobrança eficaz do grande e saudoso poeta Castelo Hanssen. Não tinha dinheiro para produzir nenhuma publicação. E naquela época, 1988, não havia internet, computador e muito menos E-book. E nenhuma editora se interessava em poesia. Mas com muito sacrifício e ajuda de amigos, principalmente do falecido agente cultural e vereador de Guarulhos Gilmar Lopes, em 1988 lancei este, livro “As Musas”. Foi feito para participação num concurso literário – que eu venci. Muitas poesias antigas e muitas mais que com certeza jamais eu publicaria novamente. Mais tarde o livro, já esgotado, foi revisado pelo Castelo Hanssen. Não pensem que era uma publicação bonita, de capa dura. Era brochura, feita de fotocópias. Mas foi o livro que construiu minha carreira.

A vida me fez congelar a veia poética, e por muitos anos não compus. Resolver relançar este livro também em E-book com minhas poesias antigas é um desafio para mim. A poesia nos faz caminhar nas estradas do tempo e se perder nos caminhos obscuros da lembrança. A saudade nestes momentos é a única companheira. Mas como o Soneto da Saudade diz: “A saudade é como vento que chega de repente. Num instante a gente sente se envolver como uma luva...”.

Demorei muito tempo, confesso, para lançar uma segunda edição deste livro. Posterguei várias vezes. Muito por me dedicar às obras científicas. Mas aqui está. Com algumas mudanças da obra original. Acrescento uma sessão de sonetos, com poesias muitas delas inéditas.

Espero então que gostem desta obra. São poesias da minha infância e juventude. Algumas até se tornaram canções em parcerias com grandes compositores como Zé Costa. São as pétalas da flor da minha vida. Lendo este livro, estarão com certeza despetalando esta flor. Conhecendo os caminhos da minha existência. Pois a minha poesia com certeza diz quem sou eu com muita clareza.

Características
Número de páginas 102
Edição 2 (2020)
Formato A5 (148x210)
Acabamento Brochura c/ orelha
Coloração Preto e branco
Tipo de papel Offset 75g
Comentários
1 comentários
Luiz Antonio Cardoso Pinto
Domingo | 02.08.2020 às 13h08
Eu vivo a poesia...