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BATALHA ESPIRITUAL
UMA GUERRA INVISÍVEL
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Batalha Espiritual, Teologia, Não Ficção
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Sinopse

BATALHA ESPIRITUAL

Uma Guerra Invisível

O que você precisa saber?

“PORQUE NÃO TEMOS QUE LUTAR CONTRA A

CARNE E O SANGUE”. (EFÉSIOS 6.12A)

CAPÍTULO – 1

A Necessidade de Base Bíblica

A melhor maneira de abordarmos assuntos polêmicos é colocá-los dentro de seus contextos maiores. Se tivermos a visão do todo, poderemos com mais exatidão entender suas partes. Por exemplo, uma pessoa que tenta achar um endereço numa cidade simplesmente procurando as placas com o nome das ruas pode acabar desorientada e perdida. Se ela, porém tiver um mapa, que lhe dá uma visão mais ampla da área onde ela se encontra, e mostra as ligações entre as ruas, poderá mais facilmente encontrar seu destino.

Da mesma forma, quando colocamos o tema do confronto da Igreja com as hostes das trevas dentro de um contexto maior, e percebemos as ligações com outras áreas teológicas, podemos melhor entendê-lo.

Em termos do conhecimento teológico global, o assunto não pertence a apenas a uma única área. Quando falamos da polêmica entre salvação pela fé e/ou pelas obras, facilmente identificamos que o assunto pertence à área de Soteriologia, ou seja, o estudo da salvação, uma área da Enciclopédia Teológica.

Se tivermos uma boa compreensão dos princípios e fundamentos que orientam a Soteriologia, poderemos mais facilmente compreender tudo o que está envolvido nessa “polêmica”. Por outro lado, a luta entre a Igreja e Satanás não se enquadra em uma área somente, muito embora a Demonologia Bíblica, que por sua vez é um departamento da Angiologia, (o estudo dos anjos bons e maus) certamente seja a principal área afim.

O fato é que os ensinos e práticas da "Batalha Espiritual" levantam questões sérias relacionadas com diversas áreas do nosso conhecimento de Deus.

Quando, por exemplo, alguns dos defensores do movimento falam de Satanás como se fosse um poder independente, autônomo e livre para fazer o mal neste mundo, está indiretamente entrando na área que trata dos decretos de Deus e da sua maneira de governar o mundo. Ainda, quando alguns revelam possuir informações extras bíblicas sobre o mundo invisível dos anjos e demônios como, por exemplo, o nome de determinados demônios e os locais geográficos onde supostamente habitam está entrando na Epistemologia, ou teoria do conhecimento.

Essa área trata do modo pelo qual conhecemos as coisas ao nosso redor, inclusive o acesso humano ao conhecimento do mundo espiritual invisível, onde habitam e atuam os seres espirituais como anjos e demônios. Semelhantemente, quando todo tipo de mal que existe no mundo, quer moral ou circunstancial (como doença, dor, desemprego, etc.) é atribuído aos demônios, levanta-se a antiga discussão acerca da origem dos males e sofrimentos neste mundo presente. E quando é dito que os cristãos podem ser possuídos por um espírito maligno (ou ficar demonizados, para usar um termo mais em voga), estamos de volta à Soteriologia – ou seja, qual a situação dos salvos diante dos ataques de demônios e entramos também na Cristologia, indagando qual a relação entre a obra vitoriosa e consumada de Cristo e a atividade satânica no presente.

Quando procuramos entender os conceitos da batalha espiritual a partir de princípios gerais que controlam as diversas áreas abrangidas pelo tema, poderemos ter alguns trilhos sobre os quais poderemos conduzir o assunto. No que se segue, procura-se analisar quatro desses princípios que têm importância fundamental para ele:

(1) A Soberania de Deus,

(2) A Suficiência das Escrituras,

(3) A Queda da Raça Humana e

(4) A Suficiência da Obra de Cristo.

Acredita-se que se havendo compreensão adequada pelos leitores funcionará como balizadores seguros pelos quais poderão prosseguir com maior certeza no conflito diário que enfrentamos contra as hostes espirituais da maldade.

Princípios Fundamentais: Deus soberano absoluto do universo – Expressa um dos princípios bíblicos de ensinamento mais relevante das Escrituras para o tema em destaque.

Um Soberano é alguém que está revestido da autoridade suprema, que governa com absoluto poderio, que exerce um poder supremo sem restrição nem neutralização.

Quando dizemos que Deus é soberano, significa que Ele tem poder ilimitado para fazer o que lhe apraz com o mundo e as criaturas que Ele criou, e que nenhuma delas pode, ao final, frustrar seus planos. Podemos fazer algumas afirmações quanto a essa doutrina. A soberania absoluta de Deus sobre a Sua criação percebe-se claramente nas Escrituras.

No Pentateuco Deus revela-se como o Criador do mundo visível e invisível, e da raça humana. Ele é o Libertador dos seus e o Legislador que soberanamente passa leis que refletem à Sua santidade e exigem obediência plena de suas criaturas. Ele exerce total controle sobre a natureza que criou, intervindo em suas leis naturais, suspendendo-as (milagres). Assim, em contraste com os deuses das nações, Ele é o supremo soberano do universo, acima de todos os deuses, que os julga e disciplina, bem como aos que os adoram.

Nos livros Históricos, lemos como Deus cumpre soberanamente Suas promessas feitas a Abraão de dar uma terra aos seus descendentes, introduzindo-os e estabelecendo-os em Canaã, e ali os mantendo até que os expulsasse por causa da desobediência deles.

Os Salmos e os Profetas celebram a soberania de Deus sobre sua criação e sobre seu povo. É Ele quem reina acima das nações e de seus deuses falsos, quem controla o curso desse mundo. Nele seu povo sempre pode confiar e depender.

O mesmo reconhecimento encontrou nas Escrituras do Novo Testamento. Na plenitude dos tempos Deus envia soberanamente seu Filho, e dá testemunho dele através de milagres poderosos, ressuscitando-o de entre os mortos.

Esses eventos, bem como os que se seguiram na vida dos apóstolos e da Igreja nascente, ocorreram como o cumprimento da vontade de Deus. Esse ponto se vê claramente nos Evangelhos e no livro de Atos: a morte e a ressurreição de Jesus (Atos 2.23), bem como a oposição contra a Igreja (Atos 4.27-29) são simplesmente o cumprimento da soberana vontade divina, acontecendo como cumprimento das Escrituras.

Para os apóstolos, “as profecias feitas no Antigo Testamento governavam o decurso da história da Igreja”. Assim, o derramamento do Espírito (Atos 2.17-21), a missão aos gentios (Atos 13.47), a entrada dos gentios na Igreja (Atos 15.16-18), a rejeição de Cristo por parte dos judeus (Atos 28.25-27) – todos esses eventos e outros mais são vistos pelos autores do Novo Testamento como atos redentores de Deus na história. No livro de Atos encontramos claramente o conceito de que a vida da Igreja foi dirigida por Deus.

A cada etapa do progresso missionário, Deus intervém para guiá-la, através da atuação do Espírito (Atos 13.2; 15.28; 16.16), anjos (Atos 5.19-20; 8.26; 27.23), profetas (Atos 11.28; 20.11-12) e, às vezes, o próprio Senhor (Atos 18.9; 23.11). A presença dos sinais e prodígios realizados em nome de Jesus através dos apóstolos e de pessoas associadas aos apóstolos (Atos 3.16; 14.3; 19.11) atestava que era o próprio Deus que levava avante a história da Igreja. (Atos 15.4)

A soberania de Deus é ensinada no conceito de Reino de Deus. Mas, é o conceito bíblico do Reino de Deus que melhor expressa à soberania de Deus sobre o universo que formou. Tal conceito está presente em toda a Bíblia e mesmo os estudiosos renomados têm insistido em que é o conceito central das Escrituras, do qual se derivam todos os demais. Para colocá-lo de maneira simples e sucinta, significa o domínio supremo de Deus sobre suas criaturas, mesmo as que se encontram em estado de rebelião aberta contra ele; embora na época presente Deus permita que essa rebelião permaneça, já tem determinado o dia em que será conquistada e quando então reinará tendo tudo e todos os sujeitos debaixo do domínio de seu Filho (1 Coríntios 15.23-28). O domínio de Deus se estende no presente sobre as ações e vidas de suas criaturas, sem que isso represente uma intrusão na liberdade delas em escolher e decidir moralmente. Ao final, porém, a vontade do Rei prevalecerá sobre todas elas, sem que nenhuma delas possa acusá-lo de determinista.

A Igreja sempre reconheceu o ensino bíblico sobre esse ponto. Os autores da Confissão de Fé de Westminster exprimiram o conceito da soberania de Deus de forma muito adequada. Eles escreveram que existe apenas um Deus vivo e verdadeiro, que é um espírito puríssimo, infinito em seu ser e em seus atributos, invisível, imutável, amoroso, misericordioso, gracioso, paciente, imenso, incompreensível, Todo-Poderoso, santíssimo, livre e totalmente absoluto, fazendo todas as coisas de acordo com sua santíssima vontade e de acordo com o seu querer justo e imutável.

“Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”. (Filipenses 2.3)

Eles ainda acrescentaram que Deus possui em si mesmo toda vida, glória, bem-aventurança, e que é suficiente em si mesmo, e que não precisa de nenhuma das criaturas que fez que Ele exercesse o mais soberano domínio sobre elas, para através delas, para elas e sobre elas, fazer o que lhe agradar. A ele é devido, da parte de anjos e homens, ou qualquer outra criatura, a adoração, o serviço e a obediência que ele assim requerer.

Uma das evidências bíblicas que citam é que foi do agrado de Deus soberano escolher o que quis para salvação, e destinar os rebeldes para o castigo eterno. (Leia, Mateus 11.25,26; Romanos 9.17,18,21,22; 2 Timóteo 2.19,20; Judas 4; 1 Pedro 2.8)

A tradição reformada – seguindo o ensino de Agostinho – entende o ensino bíblico sobre a soberania de Deus em termos absolutos. Agostinho considerava que os planos de Deus não podiam ser obliterados, nem sua vontade obstruída ao final. Calvino, similarmente, concebia a soberania de Deus como o poder determinante do universo (ao mesmo tempo em que insistia que a responsabilidade dos seres morais não era aniquilada). Veja, por exemplo, o que ele escreveu nas Institutas, no capítulo “O Resumo da Vida Cristã”:

“Nós não somos de nós mesmos, nós somos de Deus. Para ele, então, vivamos ou morramos. Nós somos de Deus. Para ele, então, dirijamos cada parte de nossas vidas. Nós não somos de nós mesmos; então, até onde possível, esqueçamo-nos de nós mesmos e das coisas que são nossas. Nós somos de Deus; então, vivamos e morramos para ele (Romanos 14.8) e deixemos a sua sabedoria presidir todas nossas ações”.

Não quero com isso dizer que outras linhas teológicas não reconheçam o ensino bíblico sobre a soberania de Deus.

Na verdade, creio que teólogos em geral, de qualquer orientação doutrinária, estão prontos a reconhecer o ensino bíblico sobre esse assunto. Apenas destaco que, em minha opinião, foram os reformadores e os puritanos que mais coerentemente entenderam e enfatizaram a soberania de Deus sem com isso detrair da responsabilidade das criaturas moralmente responsáveis, como os homens e os anjos, bons e maus, e Satanás, entre esses últimos.

O próprio Satanás está debaixo da soberania divina. Embora não esteja muito claro na Bíblia, a Igreja cristã sempre entendeu que Satanás foi originalmente um dos anjos criados por Deus, talvez um querubim com grande beleza, e com poder que se desviou do seu estado original de pureza e motivado pela vaidade e pela soberba, rebelou-se contra Deus, desejando ele mesmo ocupar o lugar da divindade. (Isaías 14.12-14 e Ezequiel 28.13-18)

Punido por Deus com a destruição eterna, o anjo rebelde tem, entretanto, a permissão divina para agir por um tempo na humanidade, a qual, através de seu representante Adão, acabou por seguir o mesmo caminho do querubim soberbo.

Pela permissão divina, Satanás e os demais anjos que aliciou dos exércitos celestiais, cumprem nesse mundo propósitos misteriosos, que apenas pertencem a Deus.

Alguns deles transparecem das Escrituras, que é o de servir como teste para os filhos de Deus e agente de punição contra os homens rebeldes.

O ensino bíblico é claro: Satanás, mesmo sendo um ser moral responsável e retendo ainda poderes inerentes aos anjos, nada mais é que uma das criaturas de Deus, portanto, é infinitamente inferior a Deus em glória, poder e domínio. Mesmo que a Bíblia fale do reino de Satanás (Hebreus 2.14) e de seu domínio nesse mundo (Efésios 6.12; Lucas 4.6; João 14.30) e advirta os crentes a que estejam alertas contra suas ciladas (Efésios 6.11; 1 Pedro 5.8; Tiago 4.7), jamais lhe atribui um poder independente de Deus, ou liberdade plena para cumprir planos próprios, ou capacidade para frustrar os desígnios do Senhor. Assim, a Bíblia nos ensina que Satanás não pode atacar os filhos de Deus sem a permissão dele. Foi somente assim que pode atacar o fiel Jó (Jó 1.6-12; 2.1-7), incitar Davi a contar o número dos israelitas (1 Crônicas 21.1 com 2 Samuel 24.1) e peneirar Pedro e demais discípulos. (Lucas 22.31-32)

Os crentes em Jesus Cristo têm a promessa divina de que Ele só permitirá a tentação prosseguir até o limite individual de cada um (1 Coríntios 10.13), o que só faz sentido se o Senhor tiver pleno controle sobre a atividade satânica.

Os autores bíblicos não viam esse controle do Deus santo e puro sobre a atividade satânica como uma insinuação potencial de que Deus era o autor do mal (Isaías 45.5-9) ou mesmo pactuasse com ele.

Num universo em estado de rebelião contra o seu santo e soberano criador, onde habitavam seres morais responsáveis, decaídos espiritual e moralmente, era perfeitamente concebível que Deus, em seu plano de redenção, interagisse com homens e anjos decaídos, usando-os conforme seu querer soberano. Em nossos dias, percebe-se claramente que a doutrina da soberania de Deus, como entendida pelos reformados não é muito popular. Algumas dificuldades têm sido levantadas contra ela.

Homens e anjos podem frustrar os planos de Deus. Essa estranha ideia predomina em alguns átrios evangélicos. Exemplo de que pessoas estão sempre arruinando o bom plano de Deus, e que Deus sempre está pronto a buscar e perguntar por elas, e apto para começar outra vez. Estou bem consciente de que a doutrina de que há um Deus que reina supremo não é recebida favoravelmente entre os incrédulos.

O salmista menciona que os príncipes desse mundo se uniram para tomar conselho contra Deus e seu Ungido.

“Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas”. (Salmos 2.2-3)

Nietzsche anunciou a morte de Deus, e os secularistas e ateus resolveram ignorar Deus como uma realidade. Essa resistência está presente até mesmo entre cristãos. Para alguns deles, Deus é um ser divino afável, como eles mesmos.

Devemos reconhecer que até mesmo os crentes mais fiéis lutam com o conceito da plena soberania de Deus quando estão passando por sofrimentos. Contudo, o conceito bíblico da soberania do Senhor Deus permanece claramente expresso nas Escrituras.

Não há uma determinação última de Deus quanto ao universo. Teólogos famosos como Clark Pinnock têm defendido em nossos dias uma compreensão mais "moderada" da soberania de Deus do que a compreensão de Agostinho e de Calvino. Pinnock afirma que um controle soberano ligado a Deus rejeita a habilidade e a liberdade das pessoas em escolher obedecer a Deus ou voltar-se contra seu propósito. Ele sugere que Deus criou o mundo com certa medida de autodeterminação, e que governa um mundo livre e dinâmico, onde não há nada determinado de forma fixa ou definitiva.

A soberania de Deus, ele sugere, é algo aberto e flexível. Pinnock tem recebido muitas críticas de teólogos reformados hoje. Sua ideia de soberania de Deus não faz justiça ao ensino da Bíblia acerca do reino de Deus nesse mundo.

A soberania de Deus o torna autor do pecado e do mal. Muitas pessoas não conseguem entender como Deus pode ser soberano e ao mesmo tempo permitir que o mal impere. James Long, preocupado com essa questão, foi que ele escreveu, conforme se lê abaixo:

“Eu me importo com paradoxos. Deus reina. O mal também parece reinar. Eu quero ver como as Escrituras relacionam os dois. Quase 20% dos seis bilhões de pessoas desse planeta vivem em absoluta pobreza e sofrimento. A fé cristã deve ter uma boa explicação para isso, se é que vai fazer sentido para eles”.

“Pois nunca deixará de haver pobre na terra; pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado, e para o teu pobre na tua terra”. (Deuteronômio 15.11)

Sem querer fazer de Deus o autor do mal, e sem querer menosprezar o sofrimento desses milhões de pessoas, afirmo com humildade que a Bíblia tem, de fato, uma solução para esse problema.

“Certamente que os homens de classe baixa são vaidade, e os homens de ordem elevada são mentira; pesados em balanças, eles juntos são mais leves do que a vaidade. Não confieis na opressão, nem vos ensoberbeçais na rapina; se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração. Deus falou uma vez; duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus. A ti também, Senhor, pertence a misericórdia; pois retribuirás a cada um segundo a sua obra”. (Salmos 62.9-12)

Possivelmente, a melhor maneira de entender como os autores bíblicos – em especial do Novo Testamento – abordou esse ponto, é tomarmos conhecimento do que eles ensinaram acerca das duas eras. Enquanto que os gregos tinham uma ideia da história como se movendo em círculos, uma repetição sem fim dos eventos – e, portanto, algo sem sentido, sem controle, sujeito ao acaso e ao capricho dos deuses – os Judeus tinham um conceito linear da história.

A história, para eles, se dividia em duas partes, o OLAM HAZÉ, a era presente, em que Israel estava sofrendo debaixo do domínio de seus inimigos, e o OLAM HABÁ, a era vindoura, o mundo por vir, quando Israel seria libertado pelo Messias de seus inimigos, se tornaria o centro do mundo, e Deus seria adorado e reconhecido por todas as nações pagãs.

Esta nova era seria introduzida pelo Messias, quando viesse em glória e poder, para destruir os opressores do povo de Deus. Segundo o Novo Testamento, vivemos hoje no período em que as duas eras se sobrepõem. A coexistência das duas eras traz tensões que o Novo Testamento expõe de forma clara: Cristo já reina, mas ainda não liquidou literalmente todos os seus inimigos, como Satanás e a morte. (1 Coríntios 15.20-28; Hebreus 2.8)

O Reino de Deus já está entre nós, mas ainda temos de orar "venha o Teu Reino". Já estamos salvos da condenação do pecado, mas ainda não da sua presença e da morte que ele acarreta.

Já temos as primícias do Espírito, já experimentamos os poderes do mundo vindouro, mas ainda não em sua plenitude (1 Coríntios 13.9-13). Já estamos ressuscitados com Cristo, mas ainda não fisicamente. É à luz desta tensão que podemos entender que o diabo já foi vencido, despojado, limitado, e amarrado, mas ainda não aniquilado (Leia, 1 Coríntios 15.24). Sendo assim, buscamos entender de forma bem especifica este ponto.

Por outro lado, nos Evangelhos Satanás é representado como sendo um inimigo vencido. Os demônios são expulsos inexoravelmente. Eles se aproximam de Jesus, não como negociadores em pé de igualdade, mas como suplicantes. (Marcos 1.23-28; 5.1-20)

O Senhor Jesus declara que Satanás está amarrado (Marcos 3.27; Mateus 12.29; Lucas 11.21-22). Por outro lado, a destruição final de Satanás é vista como ainda no futuro.

“Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. (Mateus 25.41)

Esta tensão faz parte do ensino de Jesus acerca do Reino de Deus, que já é presente, mas ainda vindouro. Temos que manter os dois pontos desta tensão em perfeito equilíbrio.

O problema com muitos defensores da batalha espiritual é que não dão ênfase suficiente no aspecto já realizado da obra de Cristo, da sua vitória sobre Satanás.

Igualmente perigosa é a falta de ênfase ainda no meio da tensão. O reconhecimento da soberania de Deus tem profundas implicações na vida do cristão. Em meio às dificuldades, provações, sofrimento e adversidades da época presente, ele encontrará profundo conforto em confiar no Deus que está em perfeito controle da situação, e que ao seu tempo e ao seu modo haverá de prover o que for necessário para o bem de seu filho.

A Bíblia está repleta de exemplos de heróis e heroínas da fé que repetidamente afirmaram sua confiança no poder de Deus para fazer tudo certo. Segundo Jay Adams, a soberania de Deus é a verdade última e definitiva que satisfaz as necessidades humanas.

Quando essa doutrina não é corretamente entendida e aplicada, duas consequências igualmente perniciosas se seguem. Uma é a frustração em vez de resignação humilde.

Os que se aplicam, inconsistentemente, junto a doutrina da soberania de Deus, porém, se o for de forma superficial acabam caindo no “louvar a Deus apesar de tudo…”.

Por outro lado, no lugar de uma submissão voluntária e paciente à vontade do soberano e eterno e amoroso Senhor do universo, eles, ao contrário, pois, desenvolvem um espírito de rebeldia e ingratidão, dessa forma, outra situação tendenciosa é esquecer a responsabilidade pessoal.

“Porque está escrito: Como eu vivo, diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará a mim, E toda a língua confessará a Deus. De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão”. (Romanos 14.11-13)

Essa última ataca especialmente a tendência dos calvinistas. Mas o entendimento correto da soberania de Deus pode trazer ao aflito e oprimido muita paz e esperança, pois lhe assegura que existe ordem e propósito para todas as coisas. (Romanos 12.1-2)

Um excelente exemplo disso é o famoso batista calvinista Charles Spurgeon. Ele padeceu durante toda sua vida no ministério de gota e artrite, e a profunda depressão causada por essas doenças.

Segundo John Piper, o segredo de sua perseverança foi entender a depressão como parte do plano de Deus para sua vida.

Sua confiança inabalável na soberania divina evitou que ficasse amargurado com Deus, e habilitou-o a perceber que Deus estava usando o sofrimento para derramar ainda mais abundantemente o poder de Cristo através de seu ministério, e prepará-lo para ser ainda mais frutífero.

Quando as pessoas perdem a soberania de Deus de vista, acabam por exagerar os poderes de Satanás e a sua liberdade para fustigar e afligir os crentes. Acabam por perder a paz, a alegria e a liberdade para servir ao Senhor livremente.

Portanto, reconhecer que Deus é soberano absoluto do universo que criou, nos permite entender o ensino bíblico sobre a “Batalha Espiritual” da perspectiva correta.

Características
Número de páginas 70
Edição 10 (2014)
Formato A5 (148x210)
Acabamento Brochura c/ orelha
Coloração Preto e branco
Tipo de papel Offset 75g
Fale com o autor
Pastor Geovaldo Barroso

Geovaldo Barroso, bacharel em segurança pública, pastor evangélico, casado com a pastora Moza Barroso, vice-presidente da CC Cristã Terra Nova, Bacharel em Teologia, Faculdade Teológica Alfa e Ômega (FATAL-BA), líder da Escola Bíblica Teológica a Distância (EBTAD). Eusébio-CE-Brasil.

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