Epifania
Código do livro: 369185
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Romance, Clássicos, Literatura Nacional, Ficção e Romance, Ficção
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Sinopse

Não é de hoje que livros a respeito de escritores são populares entre leitores – qual amante da boa ficção não quer conhecer as engrenagens da criação literária?

Entre os escritores, também é forte o ímpeto confessional; daí vem o já consagrado bildungsroman, o romance de formação.

Entre os muitos exemplares deste que é um gênero em si, o "Retrato do Artista Quando Jovem", de James Joyce, se destaca, tanto por seus méritos intrínsecos quanto por apresentar um modelo clássico do artista incipiente, que se bate com as exigências de um mundo nem sempre acolhedor enquanto desenvolve seu dom.

É mais raro ver – se é que já se viu – um aspirante a escritor relatar, com uma honestidade que não poupa nem a si mesmo, todas as esperanças e todos os desgostos, todas as agruras e todos os deleites daquele que se lança à empreitada fascinante, mas repleta de obstáculos, de dedicar o melhor de seu tempo e de suas forças à criação de uma obra escrita.

E quando este neófito das letras, um brasileiro que estuda jornalismo em Paris no início da década de 1940, torna-se pupilo do próprio Joyce, história e imaginação se irmanam para criar um romance que é, a um só tempo, uma declaração de amor à literatura e uma profissão de fé.

Em Epifania, entrecruzam-se os destinos de dois artistas: um que se aproxima do fim e outro que começa a se descobrir.

O autor

Paul Marcel é escritor, tradutor e ex-músico. Paulista, 48 anos, é um sonhador incurável e um irriquieto de plantão. É formado em jornalismo e autor de Epifania e Música de Viagem.

Características
ISBN 978-65-002-1058-3
Número de páginas 200
Edição 2 (2021)
Formato A5 (148x210)
Acabamento Brochura c/ orelha
Coloração Preto e branco
Tipo de papel Polen

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Fale com o autor
Paul Marcel

Baixei para viver mais uma vida no ano de 1973 em São Paulo. O mês foi março, o mesmo de Elis Regina e Billy Corgan. Como Cássia Eller gracejou em uma canção, estou convencido de que ter reencarnado no Brasil foi punição por travessuras de vidas passadas.

Dizer que sou um exemplo acabado do artista sofredor que nunca se sente à vontade na própria pele seria só meio exagero. Na adolescência, parecia-me que todos tinham um manual de instruções, menos eu. Eu o adquiri mais tarde, mas uma parte dele me desagrada, e outra não compreendo.

Ainda me lembro de quando meu pai me levou para comprar meu primeiro livro. O volume de poesias para crianças que ele me deu, movido por um equívoco bem intencionado, eu não li, e sim os que ele comprou para si mesmo.

A música tem uma importância muito grande na minha vida. Fracassei miseravelmente tentando ser músico em uma banda que montei com meu irmão, uma experiência que, apesar disso, foi bastante gratificante e que reconto embrulhada em muita ficção em meu romance “Música de Viagem”.

Até hoje, sou do tipo irritante que cantarola solos de guitarra e toca bateria no ar.

Para mim, nada no mundo natural é mais belo do que a mulher, nada do que o homem criou é mais belo do que a palavra, nada na vida é mais belo do que a busca de um sentido maior.

Sou um sonhador incurável, um inconformado crônico, um irrequieto de plantão. Choro vendo filmes edificantes, sou gentil quase a ponto de parecer um idiota manipulável e ainda acredito que duas criaturas humanas podem se amar absurdamente até a morte.

Ao mesmo tempo, sou pragmático ao extremo, já aceitei a perdição do ser humano e contemplo a existência com um certo enfado.

Fiz faculdade tarde e logo percebi que nunca seria um jornalista na acepção mais nobre da palavra. Parafraseando Peter O’Toole, eu não queria dar notícia, eu queria ser notícia.

Escrever me causa um prazer transcendental, um arrebatamento que me tira de mim, do chão, do agora, e me aproxima do mundo mais sublime com que as religiões nos tentam. Todas as outras coisas relacionadas ao ofício são pequenos tormentos, aos quais me submeto com o encarniçamento de quem tem uma ideologia da qual já não consegue se livrar.

Tentei escancarar as expectativas alucinadamente exageradas e as frustrações proporcionalmente devastadoras de um aspirante a escritor em meu primeiro livro, “Epifania”. Acabou sendo mais um desabafo do que um romance de formação.

Nasci escritor, vivo como escritor e morrerei escritor. É uma benção e um fardo que eu me atrevo a compartilhar com meu semelhante.

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