TRATADO NUMISMÁTICO
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Sinopse

Na numismática, é comum a adoção de divisões puramente geográficas que facilitam muito a pesquisa, mas impedem de seguir nos países da mesma civilização a evolução paralela e sincrônica do dinheiro através dos tempos. Por outro lado, o espaço restrito em que a pesquisa fica confinada não lhe permite dar certos detalhes do desenvolvimento desejado.

É por isso que não hesitamos em multiplicar os números, porque para o ensino do numerismo, como para todos os outros, o método que consiste em colocar os monumentos sob os olhos é incontestavelmente o mais frutífero.

O futuro nos dirá se alcançamos nosso objetivo. O que podemos dizer é que não nos poupamos a nenhum problema e tentamos não ficar muito abaixo de nossa tarefa.

É impossível empreender o estudo da numismática na Alta Idade Média sem primeiro olhar para o Império Inferior. A cunhagem romana da decadência forma a transição entre a cunhagem do mundo antigo e a do novo mundo que emergirá das invasões bárbaras. Além disso, antes de dirigir o leitor entre os vândalos, suevos, Herulios, ostrogodos, Burgundianos, visigodos, francos, anglo-saxões, vamos expor a situação monetária de Roma e Bizâncio.

Nossa intenção, no entanto, não é lidar detalhadamente com um assunto cujo lugar preferiria estar em um antigo livro numismático. Vamos nos limitar à informação essencial para a inteligência da história e cronologia, informações sucintas sobre o sistema monetário, um resumo dos tipos mais importantes que os bárbaros conseguiram emprestar de Roma ou Bizâncio, uma rápida revisão de legendas e uma lista das oficinas usadas pelos imperadores para fazer o sinal de troca.

Sem as moedas não poderia ser melhor o mundo para governar, não tocaria em cada um daqueles que são seus.

(Norma VIII, 103.)

Nosso objetivo era resumir, no menor tamanho possível, os conceitos essenciais para aqueles que querem cuidar do estudo de moedas antigas. O grande trabalho do erudito Eckel é tão volumoso e caro, e os tratados especiais são tão poucos ao alcance de um grande número de numismatas, que parece útil resumir esses volumes, fazer um livrinho que fosse de certa forma o vademecum dos numismatas iniciantes.

Com este modesto volume, não aprenderemos a numismática, mas, pelo menos, encontraremos os meios para pesquisar com facilidade. Esperamos que, mais de uma vez, nosso livro forneça pontos de referência úteis.

Procuramos, numa palavra, reunir e chamar a atenção de todos para as lições dispersas dos grandes mestres; e, ao procurar popularizar a ciência numismática, à qual devotaram suas vigílias, desejamos prestar uma nova homenagem aos seus trabalhos e à sua memória.

No século XVI, são descobertas as minas da América. Afluem os metais preciosos à Europa. A lei quantitativa da Moeda, definida por Copérnico e lucidamente observada por Bodin, determina a baixa da Moeda corrente e a alta dos preços. Essa revolução, surpreendente para a época, colocando os senhores, que recebiam uma renda certa em moedas, em situação desvantajosa diante das classes rurais que enriqueciam com a subida dos preços, concorrem para fazer germinar as transformações sociais que explodirão mais tarde.

Essas leis e esses fenômenos de influência tão sensível na vida econômico-social dos povos em que ramos dos conhecimentos ficarão compreendidos? Por ter como núcleo central a Moeda, caberá o seu estudo à NUMISMÁTICA?

No quadro histórico do desenvolvimento de uma Nação, não pode deixar de existir um setor consagrado à evolução econômica.

E nessa história econômica como dispensar a história da Moeda e dos fenômenos monetários?

Mas que importa à história econômica a roupagem da Moeda?

Que lhe interessa, por exemplo, que na figura haja diversidade de detalhes a constituir variantes?

O que ela precisa saber é o valor da Moeda, sua situação no sistema monetário a que pertence, a vida mesmo desse sistema, sua função econômica na época. O método de investigação é o histórico mas descoberto e recomposto o fato, ele é observado à luz da ciência econômica.

Ora, por maior largueza que se queira dar ao conceito de NUMISMÁTICA, não poderá ele abranger tais estudos e observações.

Introduzi-los em seu meio, é desnaturá-la, deformá-la, gerar um monstrengo, alimentar a confusão que a cerca até hoje.

É essencial, pois, à NUMISMÁTICA delimitar precisamente o seu território. Por isso, Leite de Vasconcelos dintingue-a da HISTÓRIA MONETÁRIA. E, melhor do que qualquer outro, define-a como a "ciência que tem por objeto o estudo morfológico e interpretativo das moedas; morfológico porque as moedas hão de apreciar-se quanto ao seu metal, ao seu aspecto, a suas figuras, sinais e letreiros; interpretativo, porque se tem de dar a razão de tudo o que o estudo morfológico revelou nas moedas. É como que um estudo anatômico e fisiológico ou estático e dinâmico, ou da forma e da função".

Impossível o conhecimento da vida de um povo sem o conhecimento da sua economia e, em consequência, do seu sistema monetário.

A história de uma Nação não é apenas a visão dos altos píncaros, dos grandes vultos e acontecimentos notáveis — mas também é, sobretudo, o conhecimento da planície onde formiga a multidão com as suas necessidades e as suas paixões e o homem cumpre as leis eternas da espécie e do trabalho. Este conduz ao comércio que o estimula, por sua vez, e as trocas evoluem, acompanhando e impelindo a civilização, da simples base naturista — produto por produtos — ao uso da mercadoria-padrão e deste ao emprego dos metais preciosos.

Como afastar da complexidade do fenómeno histórico a influência dessa preocupação quotidiana do homem, desse aspecto normal da sua vida, que se traduz e resolve na posse ou emprego de bens econômicos cujo valor é medido pela Moeda?

O contato da economia com a história se esclarece, porém, a segunda, ao contrário do que supõem alguns, humaniza a primeira, torna-a muito menos simples, repele como absurdo esse "universal determinismo da natureza", essa fisiocracia e, se bem que evidenciando a ação e reação da "infraestrutura" dos fatos econômicos e das doutrinas, enquadra a economia como ciência prática, de verificação, indutiva, presa à contingência e cujo fim é o conhecimento para a ação.

A História Monetária mostra como são vazias de sentido tantas discussões travadas por economistas, in abstrato, sem consideração das circunstâncias de época e de lugar e irreal esse cosmopolitismo de que se tem acusado tão justamente a economia clássica individualista.

Concorre ela ainda para evidenciar a inexistência do homoeconomicus e ilustrar o conceito dos que veem a natureza econômica apenas como um dos elementos da natureza humana, conjugado a outros, morais e nacionais, num sistema de forças que varia de acordo com as circunstâncias históricas.

Assim, ela só não basta para a construção da história econômica. Esta exige que se leve em conta os diferentes estados sociais no meio dos quais se produzem as trocas.

Não ficou a economia politica da escola clássica apertada entre três séculos de mercantilismo e o neomercantilismo contemporâneos, isto é, entre duas economias dirigidas? E a história dos quintos — principal capitulo da história econômica colonial — não torna patente a influência do Estado, da administração pública, da intenção nacional, da convicção politica sobre a economia? Veja-se o preâmbulo de Lei de 1750 e Ieiam-se os Termos das Juntas dos Procuradores, em Minas. Considere-se a política monetária da circulação do ouro em pó nos distritos mineiros e o regime da economia naturista quase total a que ficou reduzido o Estado do Maranhão durante longo período.

Nossa história monetária constitui magnifico campo de estudo e meditação para os que julgam que a anatomia da sociedade deve ser procurada na economia politica.

No entanto, o drama do ouro, de profunda repercussão no organismo brasileiro, não pode ser compreendido em sua totalidade sem o auxilio da história monetária. Além das minas, é indispensável o conhecimento dos Registros, das Casas de Moeda e de Fundição. Ele conduz a caminhos desconhecidos e sugere explicações novas.

Características
Número de páginas 517
Edição 1 (2020)
Formato A4 (210x297)
Tipo de papel Offset 75g
ADEILSON NOGUEIRA

ADEILSON SANTANA NOGUEIRA — Nascido em Estância-SE, em 30/06/1969, filho de Francisco de Carvalho Nogueira (I.M.) e de Maria Aldeiza Santana Nogueira, desde cedo apresentou interesse pela literatura e pela poesia, tanto é assim que, aos 11 já escrevia os primeiros poemas, com premiação em concurso de poesia no Colégio Costa e Silva, em Aracaju, cuja temática era a discriminação racial, também obtendo premiações na cidade de Lagarto, no Colégio Polivalente. Aos 10 anos, recebeu das mãos do Prefeito Heráclito Rollemberg, em Aracaju, o Certificado que lhe concedia o título de secretário mirim da educação. Em 1987 teve poemas publicados em dois livros no Rio de Janeiro: Brasil Literário (Crisalis Editora) e Poesia Brasileira (Shogun Editora e Arte), além de diversos escritos para o Jornal de Campos, Styllo, Primo Notícias, em Tobias Barreto, Folha da Jhô, em Lagarto, e Jornal da Manhã e Jornal da Cidade, em Aracaju. Jornalista e escritor, é autor de diversos livros, a exemplo da “Cartas de Amor”, “Um Poema para Você”, “Versos Dispersos e Prosa Esparsa”, “Exemplos que Edificam”, Rádio Novela “Gavião Rasteira e o Zoológico do Inferno”, “Lições que não Esqueci”, “Anos de Roubalheira”, “O Encontro”, “Épicos”, “Política”, “Mandacaru, A Origem” e “Julio Cesar”, “Pascal”, “Nogueira” “Cartas de Tobias”. Em 1987, a convite, fez um programa direcionado à cultura na Rádio Progresso de Lagarto, fato que o estimulou a fazer o curso de radialista na cidade de Itabuna-BA, tendo passado pela Rádio Progresso, Rádio Clube de Itapicuru, Rádio Luandê FM e Rádio Imperatriz (atual Ilha AM). Em 1999, ocupava o cargo de assessor de Comunicação na Prefeitura de Tobias Barreto, onde coordenou o Jornal Cidadania pra valer, de publicação mensal, na gestão do então prefeito Diógenes Almeida, fazendo parte, também, do colegiado das Políticas Educacionais. Professor desde 1988, prestou serviços à educação nos Colégios Monsenhor Basilíscio Raposo, Colégio Nsª Srª Menina, Ranchinho Feliz, Educandário Nsª Srª do Carmo, Colégio Cenecista Arnaldo Dantas, na Barra dos Coqueiros, além do SENAC e do CENAPE – curso pré-vestibular. Sempre que possível, levou oficiais da polícia militar à sala de aula para darem palestras contra o uso de entorpecentes. Em 1992, viajou para o Japão, onde trabalhou na Mitsubishi Motors Corporation, sediada na cidade de Nagoya, retornando em 1994. Primeiro representante da Anistia internacional em Sergipe, foi graças ao seu esforço decisivo junto ao Ministério da Justiça do Governo Peruano, sob a ditadura Fujimori, que a Anistia conseguiu a liberdade para um outro professor, injustamente encarcerado por comentar questões políticas em sala de aula. No Brasil e no Japão comandou greves, neste último, conheceu de perto a perseguição promovida pelos sindicatos patronais ao proletariado.

De 2005 a 2012, ocupou o cargo de Assessor Jurídico na Prefeitura Municipal de Tobias Barreto, de onde presidiu a comissão responsável pelo 2º Concurso Público na gestão da então prefeita Marly Barreto, além de colaborar na Lei que criou o Plano Diretor, entre tantas outras. Membro da Academia Tobiense de Letras e Artes – ATLAS, da qual é o atual presidente (biênio 2015-2017).

Numismata desde os seis anos de idade, suas 10 palestras sobre coleção de moedas antigas, registradas em DVD’s, viajaram pelos quatro cantos do País, para os Estados Unidos e Europa, tendo seu nome sempre lembrado nos encontros de colecionadores por todo o País.

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