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Paulo Calleún
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Nascido em 05 de setembro de 1985, filho de Valéria Lúcia Bastos de Abreu e Paulo Sérgio de Abreu, irmão de Karina Bastos (parte de pai e mãe) e Paola Rodrigues (parte de pai), Paulo Sérgio de Abreu Junior, que num momento de especial introspecção viria a incorporar o codinome Calleún, escreveria seus primeiros versos ao 12 anos. Com um caderno repleto de poemetos românticos e boas notas em redação, ali já identificara certa habilidade para a escrita, embora não fosse o romantismo que iria acompanhá-lo mais de perto em sua caminhada literária.

Nesse mesmo período de revelações, concedeu-lhe o destino o encontro com a música num aspecto mais participativo. Ganhou de presente um pandeiro de sua avó Jandyra Lúcia Bastos, quem também lhe emprestou seu violão, sendo esse, o primeiro a ser tocado por Calleún.

A partir daí, viciou-se inteiramente em violão, e foi inevitável aprender a tocá-lo, mesmo sem auxílio de qualquer professor. Enveredou-se por revistinhas contendo músicas da Legião Urbana, em que as letras de Renato Russo foram a sua primeira paixão musical.

Aos 15 anos, no ensino médio, plantou verdadeiras e longevas amizades, as quais lhe apresentariam a MPB, só então passando a conhecer Lulu Santos, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, João Bosco, Baden Powell e o que seria a sua segunda paixão – a música de Djavan. Nessa fase, apresentou-se como vocalista no auditório de sua escola (Escola Técnica Estadual Juscelino Kubitschek), num evento beneficente cujos recursos foram todos destinados à obra de reforma do Laboratório de Análises Clínicas. Apresentou-se também, fazendo voz e violão, num barzinho em Vista Alegre, bairro da zona norte no Rio de Janeiro. Chegou a integrar o GCEF (Grupo Cênico Expressão da Fé), também no bairro de Vista Alegre, realizando algumas apresentações beneficentes e, noutro grupo, profissionais. Nesse último, apresentou-se algumas vezes na Lona Cultural João Bosco com a peça “Julieta e Romeu – o besteirol”, em que fazia um prólogo Power Ranger rosa, que pôs fim a qualquer resquício de timidez que ainda lhe restasse...

Aos 17 anos há um completo e sombrio hiato em sua vida artística, quando se rende à necessidade dos estudos formais. Nesse momento inicia, pela primeira vez, aulas de violão, tendo como professor o nobre guitarrista Danyel Campos.

Aos 23, conclui o curso superior em Farmácia, pela Unigranrio. Ensandecido pelos anos em falta de arte, aqui desenvolveu uma busca feroz pela literatura que, julgava, havia-lhe faltado a vida inteira. Nesse período conheceu João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Augusto dos Anjos, a poesia de Vinícius de Moares, Mário Quintana, Raquel de Queiroz, Clarice Lispector e Cecília Meireles, por exemplo. Aqui também descobriu que podia compor.

Mesmo assim, o período continuaria a ser prevalente de escuridão, pois, ávido por fazer valer o esforço da faculdade, deu-se início uma maratona de especialização e preparatórios para concursos. Mais sôfrego ainda se tornou o período quando, ainda em meio aos estudos para concursos como farmacêutico, teve, além de outras áreas do saber, contato com a psicanálise e a filosofia. Freud, Lacan, Platão, Sócrates, Aristóteles, Voltaire, Descartes, Kant, Spinoza e, especialmente, Nietzsche, tiraram-no avassaladoramente do eixo e findaram por tornar quase impossível a tão árdua busca pela aprovação no concurso. Fato curioso e revelador de seu tamanho empenho é que nessa fase ele largou absolutamente o violão, chegando a ficar 2 anos sem colocar cordas novas para não dar vazão ao seu vício. Parênteses garrafais aqui para as canções do Guinga e seus respectivos letristas, que fizeram um dos sinergismos mais perigosos nessa fase de concurso, mostrando-lhe uma musicalidade, por ele, jamais vista!

Mas apesar de tudo isso, ele conseguiu. Após lograr a primeira colocação num concurso para o cargo de Farmacêutico-Bioquímico da UFF (Universidade Federal Fluminense), atua hoje nesse cargo. O reencontro definitivo de Paulo Calleún com a arte, seja na música ou na literatura, traz um mar de boas expectativas. Dedicação ao extremo e uma irreverência que vai do escrachado ao cavalheiresco com habilidade ímpar são as marcas desse artista que, há muito, sonha com esse momento – o de voltar a tocar e a escrever.

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