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Sou personagem real,
Filho autêntico do sertão,
Nascido em berço amoroso,
Rodeado de atenção,
O que sei da minha infância;
Já vai longe, na distância,
E agora é só recordação.
Nasci no alto sertão,
Centro-norte da Bahia,
No ano cinquenta e sete;
Mês de março, doze, o dia.
Mãe Olímpia, a parteira,
Me fez chorar de primeira,
Trazendo ao lar alegria.
Por assento no cartório,
Em livro notarial
Assinado pelo agente
No Tabelionato legal,
Está escrito e selado
Que fui ali registrado
Como cidadão local.
Primogênito do casal
Pirrucha e Júlio de Lino,
De famílias bem humildes,
Dois amantes que o destino
Uniu pra sempre na vida
Até que a morte, enxerida,
Nos causou um desatino.
Pirrucha, de sorriso fácil e doce,
Por grave doença se esvaiu;
Deixando o lar sem o esteio,
Que a família sempre uniu.
Perdendo toda alegria,
A partir daquele dia
Júlio de Lino se entristeceu.
Mas nossa vida seguiu
E é dela que vou falar;
Principalmente da infância,
Que adoro recordar,
Num lugar nada comum,
Por nome Cafarnaum,
A minha terra, meu lar.
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