Quilombo Amparo não é apenas uma obra sobre fugas ou sobre o passado colonial; é, acima de tudo, um livro sobre a coragem da permanência e a força daquilo que se escolhe.
A história se passa nas margens do Rio Camanducaia — muito antes de o município de Amparo existir nos mapas oficiais. No centro da narrativa estão pessoas que decidiram não mais aceitar os grilhões do cativeiro: Cândida, que decide fugir na calada da noite carregando a certeza de que seu filho não nascerá escravo; Tobias, o jovem que vai à frente abrindo caminho; Joana e Filomena, que caminham unidas pela certeza e pela terra; e Salvador, que encontrou na fronteira entre a mata e a liberdade uma forma de acolher os que chegavam.
A grande reviravolta conceitual do livro está no próprio nome: a palavra "Amparo", antes usada para cobrir de fachada uma fazenda escravagista, é tomada de volta pelo povo que constrói ali o seu quilombo. Não se trata de uma terra que dá amparo aos homens, mas de homens e mulheres que, na base do fogo baixo, do plantio na sombra e do silêncio que protege, criam um refúgio real de humanidade.
É uma história sobre escuta, sobre silêncios que dizem mais que palavras, sobre as marcas que o tempo deixa e, sobretudo, sobre a fundação invisível — e indestrutível — que moldou as raízes mais profundas da nossa terra.
| Número de páginas | 0 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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