PRÓLOGO
Há profissões em que se trabalha de dia e se dorme de noite. A minha nunca foi assim.
Quando a maioria das pessoas fecha a porta de casa, desliga a televisão e se prepara para dormir, começa o meu mundo. Um mundo de luzes de néon, música demasiado alta, carros de luxo parados em segunda fila, copos que nunca ficam vazios e pessoas que, depois da meia-noite, parecem esquecer quem são durante o dia.
Chamam-me Zé Gato.
O nome ficou por razões que já nem vale a pena explicar. Talvez porque sempre consegui cair de pé. Talvez pelos olhos. Talvez porque, segundo alguns, tenho mais vidas do que devia.
Trabalho na segurança. Ou, pelo menos, é isso que aparece quando alguém pergunta o que faço.
Na prática, já fui porteiro, motorista, guarda-costas, confidente, árbitro de discussões conjugais, acompanhante de gente importante e testemunha involuntária de coisas que fariam muita gente respeitável esconder a cara atrás do jornal.
Na noite aprende-se depressa uma coisa: ninguém é exatamente aquilo que parece.
O homem de fato impecável pode ser o maior bandido da sala. O tipo cheio de tatuagens pode ser o primeiro a ajudar alguém caído no chão. A celebridade que sorri para as câmaras pode passar a madrugada inteira a tentar fugir de si própria.
E depois estou eu.
| Número de páginas | 51 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Espiral c/ acetato |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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