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Escrevo ficção porque sempre me atraiu aquilo que escapa às respostas prontas — o intervalo entre o que a ciência consegue explicar e tudo aquilo que ainda permanece à espera de ser descoberto.
Como autor, não observo o universo apenas pelo mapa do conhecimento acumulado. Interessa-me também a sua margem: os lugares onde a hipótese se transforma em possibilidade, onde o desconhecido deixa de ser vazio e passa a ser matéria para a imaginação. É nesse território instável, entre a precisão dos fatos e a liberdade do impossível, que encontro meus mundos, meus mistérios e minhas histórias.
Minha inspiração também nasce do movimento. Blues, rock e hip hop acompanham meu processo criativo porque carregam personalidade, ritmo e verdade — cada um à sua maneira, cada qual com uma atmosfera própria.
A musculação me ensina disciplina e presença. A corrida e a caminhada, por outro lado, devolvem silêncio à mente. Enquanto o corpo encontra seu ritmo, os pensamentos se reorganizam, conexões aparecem e, às vezes, uma história começa a tomar forma sem avisar.
Não escrevo para solucionar todos os mistérios. Alguns perdem a força quando são totalmente explicados. Prefiro deixá-los respirar, como portas entreabertas para que o leitor atravesse com suas próprias perguntas.
Porque, diante da imensidão do universo, talvez aquilo que conhecemos não seja uma resposta definitiva, mas apenas o primeiro capítulo de uma história muito maior.
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