Fale com o autor
Leon El Roc
0 publicações
Sobre o autor
Muitos termos curiosos foram inventados ao longo do tempo para designar coisas ou seres diferentes daquilo que se considera normal em um grupo. Por exemplo, em uma aldeia cheia de pessoas “normais”, de repente surgiu uma pessoa muito baixa. Todos os “normais”, desde então, combinaram entre si que os baixinhos tinham que ser chamados de Anão.

Mas é claro que o termo Anão, sendo genérico como é, foi usado ao longo do tempo para designar muita coisa diferente. Pessoas de estatura considerada baixa, gnomos, duendes, senhores das minas das montanhas e até mesmo gigantes foram considerados uma raça de anões por uma raça de lagartos radioativos ainda mais gigantescos. E pasmem; até mesmo na internet há um tipo de meme baseado em trocadilho em torno do termo anão. Funciona assim: a pessoa usa a figura de um Anão como quem diz “Ah, Não” e completa a ideia com qualquer raciocínio.

Por exemplo:
Figura de Anão + acredito que li todas essas baboseiras!Ou então…Figura de Anão + acredito que esse cara foi eleito!


Enfim. Termos são curiosos, pois eles podem significar muita coisa; até mesmo algo contrário ao próprio termo. Como aquele amigo alto e forte do Robin Wood, que se chama João Pequeno.

ADVERTISEMENT
REPORT THIS AD


Com os termos “Bruxa” e “Demônio” não é diferente. São dois termos bastante comuns e são usados das formas mais variadas possíveis.


Um homem ou uma mulher muito habilidosos em uma área podem ser chamados de “Bruxo” ou “Bruxa”. Pessoas com habilidades especiais também podem receber essa alcunha. Pessoas que praticam alguma religião desconhecida em um lugar, podem ser chamados de “Bruxo” ou “Bruxa” nesse lugar e suas práticas religiosas chamadas de “bruxaria”. Até mesmo pessoas com alguns gostos peculiares (como passear em cemitérios) ou capazes de manter umas conversa enquanto dormem podem ser assim classificadas. E claro, Bruxos e Bruxas também podem ser chamados dessa forma.


O termo demônio então, nem se fala. Qualquer pessoa terrível pode receber essa alcunha. Pessoas muito habilidosas em algo também. Sem contar as pessoas de índole duvidosa; estas também são chamadas de demônio em algumas situações. E também pessoas de caráter nobre podem ser chamadas de demônio; basta que alguém se beneficie disso. E claro, os demônios em geral também podem ser chamados de demônio; e quase sempre também são seres terríveis e habilidosos — mas a verdade é que os demônios de verdade raramente são reconhecidos corretamente pelo termo que de fato os designa, pois são mestres em confundir as pessoas tolas, ou seja, quase todo mundo.


Agora, talvez você esteja se perguntando: porque esses dois termos em especial tem importância?


Ora, e porque qualquer coisa teria importância? Porque escolhemos lhe dar importância.
No meu caso, escolhi dar alguma atenção ao estudo desses termos, porque eles estão ligados às minhas raízes.


Minha mãe é uma Bruxa e meu pai um Demônio (sob muitos aspectos). E talvez por isso eu seja um tanto peculiar. Muito bruto para fazer poções, alguns dizem; muito letrado e cavalheiro para caçar e desossar pessoas, dizem outros. Mas quase sempre, os “outros” nunca sabem do que estão falando. Por isso não aconselho a se informarem a meu respeito perguntando aos outros (ainda que esse método seja o preferido de todo mundo).


Oque eu acho? Nunca me achei desajustado; pelo contrário, sempre tive a certeza de que é o mundo que é meio torto; um grande paradoxo esquizofrênico. Fazer o que? Um louco, aos seus próprios olhos, é são (além disso, não se engane: sou muito bom com poções, só tenho um gosto peculiar para os temperos; e posso desossar uma pessoa com a mesma facilidade com que um macaco descasca uma fruta, eu apenas evito chamar a atenção e convenhamos, nada chama mais a atenção pública do que um sujeito feito em pedaços).


Além disso, devo dizer que tenho a prova de que não há nada de errado comigo: sempre gostei das montanhas, e das florestas e de uivar para a lua cheia. E quem não gosta? Se isso não conta como “ser normal”, então “ser normal” não deve ser levado em conta.


Mas não sou um bruxo, nem um demônio. Sou um Ogro Montês. O termo Ogro também pode ser aplicado a um leque amplo de designações. Aqui refere-se a um filho de Bruxa com Demônio; um monstro fabuloso e mágico;e que pode se metamorfosear em todo tipo de fera (desde um lobo feroz, uma vespa, um grande lagarto, ou então em um poderoso Roca), mas que não chega a ser demoníaco e nem aprecia passeios em cemitérios. É também uma criatura selvagem, no sentido de “silvestre”, isto é, que detesta ambientes urbanos. Mas uma criatura suficiente culta para manter uma biblioteca em sua toca. E sou um Ogro do tipo Montês porque gosto das montanhas — afinal elas são ótimas para meditar e para levar uma vida longe das pessoas. Não digo uma “vida solitária”, pois há toda uma horda de criaturas vivendo nas montanhas; mas não pessoas (a maioria delas acha difícil viver lá).


Sendo redundante, moro em uma longínqua, hostil e exuberante montanha. As pessoas das vilas próximas me chamam de Ogro Montês, mas meu nome é Leon Ivan Cascavel Odivvegas Spada El Roc— mas podem me chamar como preferirem, provavelmente não darei importância para isso.


Sou alérgico às multidões; pessoas tolas me dão vertigens e náuseas — infelizmente as pessoas tolas são a maioria das pessoas. Por isso que eu procuro evitá-las sempre que possível (seja para vender poções ou mesmo para desossá-las). Raramente desço de minha cabana na montanha para ir à vila, mas quando não tem jeito, vou disfarçado, pois assim evito aqueles olhares curiosos e também evito àquelas pessoas estranhas que gostam de puxar conversa; quase sempre sobre temas enfadonhos e aleatórios e que dão vontade de desossa-las — só um pouquinho — para que me deixem em paz.


Apesar de raramente ir à vila, eu viajo com maior frequência para passear além das montanhas mais altas do leste; as duas últimas colunas das esquinas do mundo. Passando por elas é possível visitar outros mundos. Também faço essas viagens disfarçado, é claro; pois isso torna tudo muito mais prático. Nestas ocasiões, como um observador atento, testemunho muitas histórias realmente admiráveis.


Sei que nem todos sabem o caminho para ir além das duas montanhas mais altas do leste; ou possuem a disposição física necessária para isso — é uma viagem longa e árdua e as terras nestas montanhas são bastante hostis. Por isso pensei que seria legal de minha parte contá-las para as pessoas da vila ao pé da minha montanha — sei que não gosto de multidões, mas as pessoas que gostam de boas histórias raramente andam em bandos, são inteligentes e não costumam me dar tanta alergia como as pessoas tolas dão.


Claro, o preço é camarada; um pouco da alma e do espírito dos ouvintes em troca de um entretenimento de primeira… Brincadeira. Brincadeira. A alma e o espírito das pessoas não tem serventia para mim; ao menos não sem antes engordar estas almas e espíritos, recheando-as com incríveis histórias. Ouro, joias e temperos são muito mais uteis e práticos… Ou talvez seja melhor deixar o pagamento para depois — pensarei em algo e, quando for o momento certo, arrancarei… Farei a cobrança amigavelmente.


Se alguém estiver passeando pelas terras deste Ogro Montês, tome cuidado, fique atento e evite ultrapassar os marcadores de pedra como se a sua vida dependesse disso — pois ela depende, e depois não diga que eu não avisei. Os bichos nesta montanha (e também algumas árvores) são hostis com invasores e eu mesmo não gosto de topar com desconhecidos por aqui. Mas há um lugar em que podemos nos encontrar com certa tranquilidade; uma clareira próxima ao vale que fica ao pé da encosta oeste da montanha. Podemos acender uma grande fogueira nesta clareira no fim da tarde, assar alguma carne e eu posso (se estiver disposto) falar um pouco sobre as histórias que já vive, vi e ouvi por aí — ou talvez eu apenas às escreva para que vocês peguem os pergaminhos as leiam por si mesmos mesmos. E assim, como diria Sherazadi em as Mil e Uma Noites, atravessaremos o serão da noite viajando do jeito antigo; deixando o corpo relaxar enquanto a mente cria asas e voa para longe…

Eu sou Leon Ivan Cascavel Odivvegas Spada El Roc, o Ogro Montês. Um escritor que gosta de privilegiar o sobrenatural (por mais que digam que o sobrenatural está fora de moda), um cientista (bastante maluco, diga-se de passagem), e xamã (um pouco louco) nesta montanha que demarca os limites entre o seu mundo e o além.

Sejam muito bem vindos ao meu diário de escrita. Estejam convidados a conhecer os meus livros, ouvir meu podcast e acompanhar o meu blog pessoal.
Selos de reconhecimento
Biografia bem definida
Sua página biográfica tem foto e um texto com pelo menos 300 caracteres sobre o autor
Site oficial do autor
PodCast
https://anchor.fm/historias...
Blog
https://leonelroc.wordpress...