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Evanilde de Oliveira nasceu em São Caetano do Sul, em um lar simples, onde o amor era oferecido na medida do possível. Ainda cedo, aprendeu que a vida nem sempre poupa, a vida voltou a exigir força. Tornou-se mãe solo após o falecimento do pai de sua única filha, vítima de um aneurisma. Entre o luto e a responsabilidade de seguir, Evanilde escolheu permanecer de pé. Não por ausência de dor, mas por amor, mais tarde veem mais uma daquelas dores chegam antes mesmo de sabermos como nomeá-las. A perda dos pais, vítimas de um acidente de carro, marcou sua história com saudade, silêncio e a necessidade de amadurecer emocionalmente.
Sua trajetória acadêmica não começou cedo. Foi após os 33 anos que decidiu investir na própria formação, provando a si mesma que recomeçar é um ato de coragem. Graduou-se em Enfermagem pela Universidade de Santo André (UniA) e, movida pelo desejo de cuidar com excelência, aprofundou seus estudos. Tornou-se pós-graduada em Cuidados Críticos e Estomaterapia pela Faculdade de Medicina do ABC, além de especializações em Docência para o Ensino Superior e Gestão em Saúde Pública. Mais tarde, encontrou na Psicanálise um caminho para compreender não apenas o corpo, mas também as dores da alma.
Durante 11 anos atuou na Estratégia de Saúde da Família, espaço que se transformou em uma verdadeira escola de humanidade. Ali, aprendeu que o cuidado vai além de protocolos e diagnósticos. Aprendeu com cada paciente que a escuta, o olhar acolhedor e a empatia podem ser tão terapêuticos quanto qualquer medicamento.
Foi nesse percurso — entre estudos, atendimentos e vivências pessoais — que Evanilde decidiu encarar de frente seus próprios traumas. Ao invés de negá-los, escolheu compreendê-los. Ao invés de fugir da dor, decidiu atravessá-la. Dessa experiência nasceu um processo de transformação que ela passou a chamar de AAS: Aceitação, Ação e Superação. Um caminho que não apaga feridas, mas ensina a ressignificá-las.
Com o tempo, percebeu que sua história não era apenas sobre sobrevivência, mas sobre propósito. Transformou a dor em ferramenta de cuidado e passou a ajudar outras pessoas a se reencontrarem consigo mesmas, oferecendo acolhimento, orientação e esperança.
Hoje, Evanilde vive uma vida mais leve. Reconhece suas cicatrizes como parte da própria identidade e segue exercendo, com amor e consciência, os papéis que mais a definem: mulher, profissional, mãe e avó — sendo estes últimos, segundo ela, os títulos que mais aquecem o coração.
Sua história é prova de que não é o sofrimento que define quem somos, mas o que escolhemos fazer com ele.