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Escrevo porque preciso. Durante muito tempo, minha história ficou guardada dentro de mim, sem forma e sem espaço para existir. Cresci no interior de São Paulo, em meio ao trabalho precoce, ao cansaço silencioso e à sensação constante de estar atento ao mundo antes da hora certa.
Minha infância me ensinou a observar, a aguentar e a seguir. Na escola, aprendi cedo o que é estar à margem. Na vida, entendi que mudar, muitas vezes, é sobreviver. Carrego essas experiências na escrita, não como vitrine de dor, mas como memória viva.
O amor foi onde encontrei abrigo e reconhecimento — e a perda, uma ausência que segue comigo. Escrevo a partir desse lugar: entre o que ficou e o que ainda pulsa. Não escrevo para dar respostas, mas para nomear silêncios.
Debaixo do Céu de Zinco é meu primeiro livro e também meu gesto mais honesto. Um livro para quem sabe que crescer nem sempre é escolha, e que continuar, às vezes, já é um ato de coragem.