Um homem de quarenta anos parte de Rio Branco sem destino — deixa para trás um casamento desfeito, uma sala de aula que não volta a ocupar, e uma série de relações que não soube sustentar. Viagem ao Fundo do Nada acompanha essa travessia em primeira pessoa: estradas da Amazônia, fronteiras cruzadas quase por acidente, quartos baratos, vodca, mulheres que aparecem e somem, e uma violência que o protagonista não consegue distinguir se pratica ou apenas acumula. O livro começa com uma arremetida aérea — o avião que quase pousa e sobe de novo — e mantém essa lógica até o fim: o personagem em queda constante, sem chão firme à vista.
É o primeiro romance de Márcio Bezerra da Costa, e carrega a mesma secura que marca sua poesia: frases curtas, sem ornamento, sem redenção à vista. A influência de Graciliano Ramos e João Gilberto Noll é explícita na recusa de qualquer consolo narrativo — o que o leitor recebe não é uma história de superação, mas um retrato de dissolução, escrito de dentro. A consciência do narrador é o único fio que organiza o caos, e mesmo ela vai cedendo ao longo dos vinte capítulos.
Viagem ao Fundo do Nada é um livro para quem não tem medo do vazio — de encontrá-lo na página e reconhecê-lo em algum lugar familiar.
| Número de páginas | 152 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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