Maria Helena tem vinte e quatro anos, uma mala com fundo falso e nenhum lugar para onde voltar — ao menos é o que ela diz ao barqueiro que a leva, contra os próprios avisos, para o outro lado de um lago prestes a congelar. Em poucos dias a travessia se fecha até a primavera. Ninguém entra, ninguém sai. Por isso ela aceitou o emprego que mais ninguém quis: cuidar da casa isolada e dos arquivos do casal Vasconcelos durante o inverno mais rigoroso em anos.
A Casa do Lago a recebe com um frio que nasce das próprias pedras. Clara é uma escritora reclusa, obcecada por controle, que trata qualquer pergunta sobre o passado como invasão. Vicente é charmoso e atencioso — e, já na primeira noite, sabe detalhes da vida dela que ninguém deveria saber.
Enquanto a neve isola a casa do mundo, rachaduras surgem na fachada perfeita do casal: um vão oco atrás de uma estante, uma luz acesa numa sala trancada, uma governanta anterior que ninguém quer mencionar. Clara escreve um romance sobre identidades roubadas com um realismo perturbador demais para ser só ficção.
Mas Maria Helena também guarda segredos — desde antes de subir os dezessete degraus daquela casa, desde a última vez que viu o rosto da irmã mais nova, dois invernos atrás.
Trancados juntos por uma tempestade sem trégua, os três vão parar de fingir uns para os outros — só para descobrir, tarde demais, que ninguém ali chegou por acaso, e que nem todos vão sair vivos quando o gelo ceder.
| Número de páginas | 277 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | 16x23 (160x230) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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