Pablo Saya Báez constrói, em A história de uma salsinha, uma autoficção corajosa que recusa o conforto da linearidade. A voz do narrador é áspera e autoconsciente desde a primeira página — ainda feto, já cínico —, e essa ironia amarga sustenta o livro inteiro como um fio condutor, mesmo quando a estrutura se estilhaça em vozes, diários e manchetes na segunda metade da obra.
É justamente essa ousadia estrutural o maior mérito do livro: capítulos que se autoquestionam ("Capítulo I, dentro de qualquer capítulo"), narradores que se sucedem sem aviso, uma numeração que se reinicia como se a própria memória perdesse a conta de si — tudo isso reforça o tema central da obra, a fragilidade do relato que fazemos sobre nós mesmos diante da morte.
Por outro lado, é uma leitura que exige entrega: não há uma trama que se resolva no sentido convencional, e os saltos de tom — do confessional ao aforismo, do lírico ao jornalístico — pedem um leitor disposto a se perder um pouco para encontrar o padrão emocional por trás da fragmentação. Para quem topa esse pacto, o resultado é um retrato íntimo e sem vaidade da paternidade, do desejo e do fim.
| Número de páginas | 336 |
| Edição | 2 (2026) |
| Formato | 16x23 (160x230) |
| Acabamento | Brochura s/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 75g |
| Idioma | Português |
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