Trava ! Arte-Educadora / Pintora
Historiadora Pela UEMG- Divinópolis / Cantora e Atriz
Ativista Pelo Direito de pessoas Trans, Mulheres Trans e Travesti
Atuante no Coletivo Rolezinho Das LBPT
@helenaamoura.453@gmail.com
Estou tentando pensar em algo e me descrever para você.
Estou dançando com a lua.
Esse é o mistério. E são dedos que correm aqui, pontos para dizer o que não sei sobre mim. E, novamente, toda tristeza do mundo toma conta de mim. Eu deveria escrever algo excepcional para te impressionar. Mas a impressão é fruto daquilo que fica, e eu, novamente fluida, somente sei escrever. Eu vou me degradar e escrever. É tentando que se consegue o nada e a possibilidade de ser.
Esse é o mistério: estou tentando ser.
No que sou? Não sei. E tem esse fio ligado ao rato e à xícara que compromete o mundo. Acreditei na alegria. Talvez, é. Helena se dança. Sou uma perdida historiadora, em uma história que não sei contar o que é. Professora. E só por isso você já deve entender muito. Tento as artes da filosofia e da pintura como quem tenta se jogar naquilo que é grande demais para compreender e, mesmo assim, se fazer humana e vil. Estou tentando os saberes das feitiçarias e mistérios dos antigos cultos perdidos, em uma mistura que só Dostoiévski conhece.
E acho que estou começando a fazer o uso das palavras para atiçar o que não se é, por prepotência de ser e dizer que se é. Estou escrevendo corrido para que tu não pares de me ler. E assim, faço a trama e crio o feitiço em ocaso e mistério de luz divina, de quem sangra e corre ruas noturnas em descompasso de ser. A história que escrevo aqui é para lhe contar como escrevo e me digo quem sou. É que eu não me jogo fácil. E o meu contraponto é ser uma mulher lambida. Estou dizendo a face escura do eu e projeto-te a forma. É o que me salva.
Sou também uma passante solitária. E não me entrego ao fácil chão que me espera. Assim, vivo as inúmeras formas do abstrato e corpo. Escrevo para ensinar a poesia das histórias. E conto a singularidade da efêmera existência. Na teoria da história, entrego-me por inteira. E assim, crio mundos e sonhos possíveis para que, assim, eu possa viver em todas. Travestis. Que eu possa viver nelas.
"Eu determino que termine aqui e agora
Eu determino que termine em mim, mas não acabe comigo
Determino que termine em nós e desate
E que amanhã, que amanhã possa ser diferente pra elas
Que tenham outros problemas e encontrem novas soluções
E que eu possa viver nelas, através delas e em suas memórias"
Trecho da música Oração, da Pensadora Travesti, Poetisa, Multiartista e Cantora - Linn Da Quebrada
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