Existe uma proposição que governa todo este livro. Não um aforismo, não uma máxima, não um lema para capas de livros, mas um critério lógico que, uma vez compreendido, reorganiza toda reflexão sobre a felicidade. Nossa felicidade só se torna plena quando encontramos algo cuja ausência não é capaz de diminuir a nossa paz. Lida com atenção, a frase revela uma exigência mais severa do que parece à primeira vista. Ela não diz que a felicidade plena exige muita paz, ou paz estável, ou paz resiliente. Diz algo mais radical. Exige algo pertencente a uma ordem tal que a própria ausência não tenha poder de subtração. Ora, tudo o que pertence à ordem do finito, bens, relações, saúde, reputação, realizações, pode, por definição, ser perdido. E tudo o que pode ser perdido pode, por definição, diminuir a paz de quem o possui. Logo, se a paz plena é possível, seu alicerce não pode pertencer à ordem do que se perde. Este é o critério demarcatório que organiza o livro. Não é uma afirmação religiosa que se impõe ao leitor, é uma exigência lógica que se oferece à sua inteligência. O leitor pode, desde já, testá-la contra suas próprias experiências. O que você possui cuja perda não diminuiria sua paz? Se a resposta for algo, qualquer coisa, que pode ser perdido, então a paz que você tem não é plena. É paz provisória, paz emprestada, paz sob condição. E paz sob condição não é paz, é trégua.
| Número de páginas | 280 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Colorido |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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