“Aqui, coelhos não correm. Eles são caçados.”
Era uma vez uma menina chamada Alice. Mas essa Alice não vivia no País das Maravilhas.
Onde ela vivia não havia coelhos apressados, chás quentinhos ou chapéus malucos. Havia um bar de luz baixa, um vestido vermelho e um homem chamado Erick.
Aqui, o buraco não leva a um mundo encantado. Leva a corredores abafados com cheiro de medo, a portas que se trancam sozinhas e a espelhos que mentem com ternura. As poções não encolhem, elas apagam. As flores não falam, observam. E o relógio não marca horas; ele marca a próxima visita.
Neste lugar, sonhos são leiloados a preço de carne. Toda escolha é armadilha. Todo afeto, isca. O tempo, esse vilão cortês, dança com monstros de sorriso fácil e mãos ocupadas. Alice caiu, e ninguém avisou que cair é só o começo. Porque aqui, até o fundo do poço tem porão. E nele, mulheres viram números, bebês, produtos, nomes se desfazem com a mesma facilidade que promessas, e o amor sobrevive apenas como truque barato de ilusionista bêbado.
Entre delírios e pancadas, danças e cicatrizes, Alice precisa lembrar quem é antes que seu nome seja apagado, antes que sua história vire apenas mais uma fábula esquecida, escrita com sangue e silêncio.
Talvez, só talvez, um último suspiro também seja um primeiro passo.
Bienvenue en enfer, mon ami!
| Número de páginas | 160 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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