Desde criança, sempre fui apaixonado pela arte e pelas histórias. Gostava de desenhar, passava horas assistindo a desenhos animados e, ainda durante o ensino fundamental, fiz parte de um clube de leitura. Naquela época, talvez eu ainda não soubesse, mas essas experiências estavam plantando as primeiras sementes daquilo que eu me tornaria no futuro.
Sempre fui fascinado por livros, principalmente pelas histórias de fantasia e ficção. Gostava de imaginar mundos diferentes, personagens, criaturas e universos onde a magia fazia parte da realidade. Durante a adolescência, esse fascínio deixou de estar apenas nas páginas dos livros e começou a ganhar vida através da minha própria imaginação.
Foi aos 16 anos que comecei a escrever Almas Honradas. Eu ainda era apenas um adolescente explorando os universos mágicos da literatura, enquanto também acompanhava animações japonesas e descobria novas formas de contar histórias. Naquele período, escrever era, acima de tudo, uma maneira de colocar no papel tudo aquilo que existia na minha imaginação.
A inspiração para Almas Honradas veio de diversos lugares. Jogos digitais, livros e animações tiveram grande influência sobre mim. Entre eles, lembro com carinho de Grand Fantasia e da série Ranger: A Ordem dos Arqueiros, além dos animes que apresentavam mundos medievais repletos de magia, aventuras e personagens marcantes. Aos poucos, todas essas referências foram se misturando às minhas próprias ideias, até que comecei a construir o meu próprio universo.
Na época em que comecei a escrever, eu sequer sabia como publicaria um livro. Minha ideia era simples: “Bom, futuramente eu quebro a cabeça para descobrir como publicar isso. Por hora, vamos criar.” E foi exatamente o que fiz.
Continuei escrevendo.
Quando finalmente cheguei à reta final do livro, comecei a procurar maneiras de transformá-lo em uma obra publicada. Foi então que descobri plataformas que permitiam a publicação independente e, em alguns casos, gratuitamente. Para um escritor de primeira viagem, aquilo foi um grande alívio. O projeto que havia começado apenas como uma ideia na adolescência finalmente poderia chegar às mãos de outras pessoas.
Mas a escrita não foi o único sonho que persegui.
Nasci em uma família humilde, sendo um dos dez filhos de uma mãe solteira. Minha família enfrentou muitas dificuldades financeiras durante minha infância e juventude. Houve momentos em que chegamos a questionar se teríamos o que comer no dia seguinte. Usei roupas que haviam sido doadas, nunca tive os mesmos recursos que muitos dos meus amigos e colegas e não cresci cercado de facilidades.
Mas nunca enxerguei essas dificuldades como um motivo para desistir.
Pelo contrário. Elas me ensinaram a correr atrás dos meus próprios objetivos, a valorizar cada conquista e a construir meu caminho com o próprio esforço. Precisei custear minha própria faculdade e, com muito trabalho e dedicação, consegui me formar e me tornar professor de Artes Visuais, justamente na área que sempre esteve tão presente na minha vida.
Hoje, tenho a oportunidade de fazer aquilo que sempre sonhei: trabalhar com arte.
Atuo como professor, levando a arte para a sala de aula e compartilhando conhecimentos com jovens e adultos de diferentes idades. Poder inspirar outras pessoas através daquilo que amo é uma das maiores realizações da minha vida.
Foi também em sala de aula que surgiu o nome pelo qual muitos passaram a me conhecer: Tom.
Em uma das primeiras escolas em que trabalhei, apresentei-me aos alunos como Gleidston. Eles, porém, acharam meu nome complicado de decorar e decidiram abreviá-lo por conta própria. Assim nasceu o “Tom”. Gostei tanto da forma carinhosa como passaram a me chamar que acabei adotando o apelido.
Hoje, “Tom” representa uma parte importante de quem sou: professor, artista e escritor.
A publicação de Almas Honradas foi outra grande conquista. Mais do que simplesmente colocar um livro no mundo, ela representou a realização de um sonho que começou quando eu ainda tinha 16 anos e sequer sabia onde aquela história iria me levar.
A arte, para mim, representa tudo aquilo que sempre sonhei.
Não consigo me imaginar seguindo uma carreira na qual a arte não esteja presente. Seja através do desenho, da pintura, da educação ou da literatura, criar sempre fez parte de mim. E talvez essa seja a maior lição que minha própria trajetória me ensinou: nossas condições de origem não precisam determinar até onde podemos chegar.
Eu não nasci em uma família financeiramente estável. Não tive tudo aquilo que muitas pessoas ao meu redor tinham. Mas tive sonhos, objetivos e, principalmente, a vontade de correr atrás deles.
Nunca permiti que aquilo que eu não tinha definisse aquilo que eu poderia me tornar.
Olho para trás hoje e vejo a criança que gostava de desenhar, o adolescente que passava horas lendo livros de fantasia e escrevendo as primeiras páginas de Almas Honradas, e o homem que conseguiu transformar a arte em profissão e publicar sua própria história.
E percebo que, de certa forma, aquele garoto de 16 anos conseguiu cumprir a promessa que fez a si mesmo: continuar criando.
Hoje sou professor de Artes Visuais. Hoje sou escritor. Hoje tenho um livro publicado. E cada uma dessas conquistas carrega um pouco de tudo aquilo que vivi.
Por isso, existe alguém a quem dedico cada uma dessas realizações.
Mãe, obrigado por tudo.
Obrigado por tudo que me ensinou, por ter acreditado em mim e por ter feito o possível para que eu pudesse chegar até aqui. Se estiver me olhando daí de cima, saiba que tudo aquilo que me tornei hoje também é dedicado a você.
Maria das Dores (2020).
Obrigado, mãe.
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