Nasci no dia 28 de maio de 1978 do calendário gregoriano, correspondendo ao dia 21 de Iyar de 5738 do calendário judaico. Meu nome hebraico é Yehuda ben-Esther. O nome do meu avô era, também, Yehuda. Nomes definem identidades. E são aplicados em homenagem a antepassados queridos, como forma de homenageá-los. Acredito que seja o costume. Ainda sobre o meu nome, Yehuda, seu significado é "louvor". Uma de suas formas é Judah. Este foi o quarto filho de Yaacov e Leah e fundador de uma das doze tribos bíblicas, segundo a literatura judaica.
Escrevi meu primeiro poema aos 7 anos. Em 2001, vendi meu primeiro livro de poesias, chamado Proemas; em 2002, meu primeiro livro de crônicas, Cronicão; no ano seguinte, duas peças teatrais: João Minhoca e O Ociólogo e a Associação das Minhocas Dorminhocas, ambas criticando o contexto político-econômico. Em 2003, as primeiras prosas: Nem Te Contos, Um Dedo de Prosas e Literatices. Estes livros foram impressos artesanalmente, numa tiragem de 20 a 30 exemplares, vendidos em pontos de ônibus, em portas de universidades e de teatros.
Até aí, eu era um cidadão brasileiro buscando elementos para compor literatura; elementos os quais se consubstanciaram em três modalidades: prosa, dramaturgia e poesia – sempre buscando conhecer a cultura genuinamente brasileira.
Então, mudei-me para Israel. No princípio, por não dominar o idioma nacional, trabalhei duramente, ao mesmo tempo em que estudava hebraico, bem como árabe e francês. Morei próximo à fronteira Israel-Líbano, durante a guerra do Líbano de 2006, sob tensão e o medo. Lá é centro do principal polo de estabilidade do mundo, historicamente é marcado por divergências político-religiosas e disputa por territórios. No intuito de aprender idiomas mais rapidamente, isolei-me de outros brasileiros – o que o Itamaraty desaconselha.
Ministrei aulas de português e espanhol para estrangeiros e aulas de hebraico para brasileiros. Concluí o mestrado em História Geral, na Universidade de Haifa, em 2010, com uma tese sobre a etnohistória dos índios brasileiros, orientada pelo Prof. Amos Megged, filho de um dos maiores escritores de literatura de Israel, Aaron Megged.
Naquela época, compus um livro de poesias bilíngue (hebraico-português), no qual busquei inspiração na sociedade israelense, tratando de elementos, desde os políticos aos sociais, de pessoas a lugares.
Numa entrevista concedida a Nelson Burd, da Revista Zena, em 2010, ao ser perguntado sobre quais as diferenças e semelhanças entre a literatura brasileira e as literaturas israelense e judaica, respondi:
"O Estado de Israel se localiza entre os três continentes: Europa, Ásia e África. Em muitos aspectos, este Estado se tornou um modelo e um símbolo de conflito e ao mesmo tempo coexistência, tolerância e respeito mútuo entre judeus, árabes, drusos e novos imigrantes, que formam desta a sociedade mais pluralista no Oriente Médio. A sociedade israelense é um microcosmo da sociedade universal, numa analogia ao Brasil: o país do pluralismo cultural. Obviamente, a literatura hebraica contemporânea reflete este fenômeno".
Afirmei que: "Tanto Brasil quanto Israel são fontes de inspiração para mim. O Brasil não tinha destaque na cultura mundial, nunca ganhou um Prêmio Nobel, embora tenhamos alguns dos melhores cientistas do mundo e uma incomparável riqueza cultural e folclórica. Assim, eu me aliarei a qualquer iniciativa de incentivo ao estudo e tradução dos nossos autores brasileiros, o que poderia render-nos finalmente o reconhecimento internacional".
Destaco em minha literatura, os seguintes livros:
Maíra & Curumim (Anomelivros, 2005). Trata-se de um longo poema indianista e nacionalista. Curumim, personagem central, para ter o amor de Maíra, pertencente a outra tribo, passa por provações impostas pelos anciãos da tribo dela. Ele descobre novas terras e figuras mitológicas, enquanto o Quadrilheiro Arrependido prepara-se para tomar posse do novo país: a Terra de Santa Cruz. Este é o primeiro de uma tetralogia (os três, ainda não publicados).
Novos fármacos e outras histórias (Scriptum, 2019). A coletânea de contos afirma que “Toda leitura é arriscada, é um mergulhar no passado", portanto, vale a pena o risco e a imersão. As histórias narradas apresentam-se no equilíbrio sutil desses dois eixos que se dobram e se desdobram em múltiplos outros sentidos que desafiam a leitura contemplativa ou passiva.
Enigmas (Quixote, 2023). O humor é um dos elementos dos 18 contos em que personagens bíblicos como Adão, Lilit, Eva, Noé, Abraão, Naum e outros são reinventados e inseridos em novos contextos narrativos. Em um redemoinho de referências literárias e religiosas, destaca-se o número cabalístico 18 (valor numérico da palavra “vida”, em hebraico) e a imagem da Hamsa, amuleto da sorte para as comunidades judaicas e árabes e símbolo de esperança e paz.
Mais recentemente lancei TEL AVIV NOIR: Crimes e criminosos em Etgar Keret e Assaf Gavron (Amazon, 2026), ensaio a partir de Tese de Doutorado defendida na UFMG, em 2022.
Tenho a mania de dizer certas frases e expressões de uma forma característica minha, como repleto-repleto de ensimesmamento. Pois ensimesmar vem de concentrar, e em mim esse processo é, sobretudo, disperso, em obediência às minhas próprias "leis" de estudo: empreitadas autodidatas, e pronto! A minha língua-pátria é o português falado e escrito em todo o território brasileiro e mais precisamente na região central de Minas Gerais. Mas eu estou ainda imbuído de traços linguísticos que divergem da norma: seja pela real tendência atual em errar, seja pela formação da língua por mim falada, meu idioleto. E esta língua individualmente minha, este idioleto, ainda influencia outra língua: a escrita. E é aí que deixo documentada a minha literatura.
Moro em Belo Horizonte, depois de morar em Jerusalem, Haifa e Tel Aviv.
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