Elena Rys, restauradora de arte em Lisboa, acorda numa manhã de março com uma certeza impossível: sabe tudo sobre a irmã Sofia — a idade, as alergias, as memórias — mas já não sente nada por ela. Nos dias seguintes, o vazio alastra como uma mancha de óleo: a melhor amiga, a vizinha, e por fim o próprio marido Julian tornam-se estranhos com rosto conhecido.
Ao revistar a casa e o ateliê, Elena encontra cartões escondidos, escritos na sua própria letra por uma versão de si que não recorda ser: «Se estás a ler isto, já começaste a esquecer-me», «Não confies no homem que dorme ao teu lado», «Pediste para esquecer.»
A investigação leva-a à Clínica Mnemosyne e à Ablação Emocional Seletiva, um procedimento que remove a ressonância límbica ligada a um trauma. Mas o cérebro não compartimenta: sem a âncora emocional central, a erosão alastra e apaga todos os afetos.
Peça a peça, Elena descobre que a sua vida é uma mentira arquitetada. Gabriel, o ex-namorado que o corpo reconhece mas a mente não, fora um auditor que descobrira um desvio de três milhões na consultora de Julian. Julian assassinou-o, encenou a queda, envenenou Elena durante meses com alcaloides no café e pagou a ablação para a manter refém.
Sem medo, sem culpa e sem amor — apenas com lógica fria —, Elena transforma-se na arma perfeita contra o marido. Com a ajuda da irmã e de uma advogada penalista, grava a confissão de Julian, recupera provas financeiras e entrega-o à Judiciária. Vinte e dois anos de prisão.
| Número de páginas | 124 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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