O dossiê não deveria existir mais. Assim como o arquivo "que respirava" do Volume II – A Arquitetura do Ruído –, ele fora marcado como eliminado, extraído de servidores e destinado ao descarte definitivo após a publicação da reportagem que abalou Londres. Mas respirava em camadas ocultas, replicado em espelhos digitais que o Professor mantinha vivos, nomes alterados a cada acesso, conteúdo intacto: corrupção bilateral, lavagem via portos, blindagem midiática e o atentado à sede da Veritas que quase dizimou a equipe.
Nath Gold o encarava na tela de um laptop criptografado, agora em um quarto escuro nos subúrbios de Londres, três meses após a bomba. O vento úmido batia na janela trincada, ecoando o cheiro de fumaça que ainda pairava na memória coletiva da revista. Sem maquiagem, cabelo solto, ela anotava setas entre nomes de parlamentares da situação e oposição – o "ponto cego" da rede criminosa, onde interesses se cruzavam sem rastro visível. Nos fones, "Disarm" do The Smashing Pumpkins tocava baixo, uma melodia melancólica que separava o essencial do caos, distinta das trilhas anteriores.
A voz do Professor veio no auricular: "Eles sequestraram Jack para silenciar o dossiê final. A bomba foi só o aviso. Agora, operamos no ponto cego – invisíveis." Nath assentiu para si mesma. O mapa a observava de volta, mas ela aprendera a navegar suas falhas.
| Número de páginas | 220 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 75g |
| Idioma | Português |
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