No Galinheiro Livre, todo ovo pertence a quem bota. Está escrito na parede.
Todo dia dois galos cantam ao amanhecer, e o terreiro se divide para discutir a qual dos cantos o sol respondeu. Corocó promete milho para todos, como no tempo dele. Quiriqui promete ordem no terreiro e o fim das raposas. As galinhas esfregam barro vermelho ou pó de milho na crista, gritam o nome do seu galo e vão dormir cansadas. Enquanto isso, lá em cima, onze galinhas velhas que já não botam decidem o que as Regras sempre quiseram dizer. E lá embaixo, pela fresta da cerca, os ovos vão saindo, um por um, para uma carroça que ninguém viu.
Um frango que não canta resolve contar. Uma coruja pousa na cerca para avisar. Um bem-te-vi grita a noite inteira. O terreiro responde com o único grito que une os dois lados: soberania do galinheiro.
Ninguém Rouba Ovo Aqui é uma fábula no espírito de A Revolução dos Bichos, sobre um galinheiro que briga todos os dias pelo galo e nunca olha para a cesta. Sobre quem decide quem é perigoso, e por quê. E sobre o que acontece com quem conta.
| Número de páginas | 100 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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