Escrever memórias não é um exercício de vaidade; é um ato cirúrgico de sobrevivência. Na corrida implacável do tempo, a vida se revela uma velha senhora de passos rápidos e duas faces bem distintas: para alguns, comporta-se como uma bruxa impiedosa que arranca pedaços da carne e deixa cicatrizes profundas; para outros, surge como uma fada favorável que distribui encantos e sopros de calmaria. Neste segundo volume da série O Quintal de Dentro, o caçula observador — aquele mesmo menino que aprendeu a ler o mundo nos silêncios da infância rústica em Minas Gerais — desembarca do trem da linha férrea para cravar os pés nas engrenagens brutas e barulhentas de um novo chão. O cenário agora é a efervescente Vila Velha de 1984. Se acostumando à maresia capixaba, o cheiro de macarrão com sardinha na cantina escolar do Adolfina Zamprogno e os solavancos madrugadores do ônibus Cais de Capuaba passam a ditar o ritmo de uma juventude que desabrocha no susto.Ilustrado por 31 aquarelas que traduzem em cores a névoa da memória, este livro resgata a poesia dos instantes vividos à margem do asfalto quente: as lições duras e precisas de marcenaria, as cumplicidades guardadas a sete chaves nas escadarias do Bar 007 e a mística e exaustiva subida ao topo do Mestre Álvaro. Mas não há espaço para conivências ou romantizações baratas. Sob a superfície das lembranças, pulsa a crueza invisível das marcas que o tempo não apaga.
| Número de páginas | 132 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Capa dura |
| Coloração | Colorido |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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