Em “O Último Banquete da República”, a política não se debate em plenários, mas à mesa. Não há discursos inflamados, apenas garfos tilintando contra pratos vazios de sinceridade. Sob um mesmo teto — literal e metafórico — acadêmicos, tecnocratas, políticos e empresários cansados de si mesmos se reúnem, todos conscientes de que estão perdendo o controle, mas fingindo ter a receita da salvação.
O jantar é só pretexto. A verdadeira refeição é o debate sobre poder, culpa, vaidade intelectual e a sensação de que talvez já sejamos aquilo que outrora condenávamos. Entre os pratos, servem-se teses, ironias, verdades mal digeridas e autopiedade temperada com vinagre de opinião pública.
Barbosa, que insiste em dizer que não é personagem, tenta entender se escreveu o livro ou se foi escrito por ele. Gabriela, parceira na vida e na edição, revisa não só manuscritos, mas escolhas existenciais. E no meio de tudo, um Cozinheiro cuja identidade muda conforme o humor do leitor — ou do autor.
Aqui, comida é metáfora, crítica e arma. O humor é ácido, o lirismo, ocasional, e a erudição, voraz. Mas quando acerta, a sátira se torna bisturi: corta com elegância a pele grossa da elite pensante.
Este não é um romance leve. Incomoda, questiona e ri de si mesmo — como quem percebe que fala sério demais num mundo que virou piada sem punchline.
Boa leitura. E cuidado com o que você assina.
ISBN | 9786501644240 |
Número de páginas | 478 |
Edição | 1 (2025) |
Formato | 16x23 (160x230) |
Acabamento | Brochura c/ orelha |
Coloração | Preto e branco |
Tipo de papel | Polen |
Idioma | Português |
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