Entre 2012 e 2013, uma comarca do litoral cearense concentrou trinta e oito processos
judiciais movidos por um mesmo grupo econômico contra moradores, posseiros e pequenos
proprietários. O objeto era quase sempre o mesmo: servidão administrativa para a
passagem de linhas e a instalação de aerogeradores. O resultado também. Em oitenta e nove
decisões de mérito com parte privada de menor capacidade econômica no polo oposto,
oitenta foram favoráveis à empresa.
Este livro examina esse conjunto. Não parte da conclusão de que houve
favorecimento, e não chega a ela por atalho. Mostra, primeiro, que a concentração
territorial e temática explica boa parte do resultado, e que o direito material da servidão
administrativa explica outra parte. Mostra, depois, o que sobra quando essas duas
explicações são descontadas. O que sobra não é pouco.
O percurso passa pelo regime que tornou tudo isso possível. O licenciamento eólico no
Ceará opera, desde 2018, sob rito bifásico, com estudo simplificado e prazos de quarenta e
cinco dias por fase. A Lei nº 15.190/2025 apresentou esse desenho como inovação nacional.
O litoral cearense já o praticava havia sete anos, e o que se lê aqui é a primeira medida dos
seus efeitos judiciais.
O livro aplica jurimetria a um arranjo que a pesquisa empírica brasileira não havia
examinado. Os estudos disponíveis olham para litígios de saúde contra o Estado, em que a
pessoa física vence quase sempre.
| ISBN | 978-65-266-8670-6 |
| Número de páginas | 67 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A4 (210x297) |
| Acabamento | Capa dura |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 115g |
| Idioma | Português |
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