Raimundo Nonato Brabo Alves é um escritor brasileiro cuja obra, composta por poemas, contos, crônicas e ensaios, destaca-se pela defesa intransigente da sustentabilidade, da agroecologia e da segurança alimentar na Amazônia.Nascido em 1º de setembro de 1952, em Macapá, no Amapá, à beira do rio Amazonas, cresceu entre o rio e a floresta, entre a cidade e a roça. Essa origem anfíbia marca até hoje a sua escrita. Engenheiro-agrônomo formado pela Faculdade de Ciências Agrárias do Pará em 1975 e mestre em Agronomia, com concentração em Fitotecnia, pela Escola Superior de Agricultura de Lavras em 1987, construiu uma trajetória de mais de 40 anos entre a extensão rural e a pesquisa na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém, sempre ao lado da agricultura familiar.É dessa vivência, de campo, de casa de farinha, de capoeira e de beira de rio, que nasce a sua literatura. Uma literatura que não é apenas contemplação, é denúncia e proposta.Autor de títulos como Amazônia em Devaneios, A Febre da Terra, A Grande Odisseia, O Galope das Amazonas, Um Planeta Remoto, Pêndulo do Tempo, Horizonte Compartilhado, Colonização & Globalização e Ressonância Schumann, Alves constrói uma obra em que a Amazônia deixa de ser cenário e passa a ser personagem, testemunha e voz.Em A Esquadra de Cabral, revisita a história do Brasil a partir do olhar de quem veio depois, dos povos que já estavam aqui. Em Sobreviva ao Caos Digital e Obsolescência Digital, amplia o debate para além da floresta e questiona o consumismo, a obsolescência programada e a velocidade de um mundo que descarta pessoas, objetos e saberes na mesma proporção em que descarta florestas.Em todas as suas obras, o fio condutor é o mesmo: a crítica ao desmatamento, ao consumismo desenfreado e aos impactos de megaprojetos como Belo Monte, que alteram rios, deslocam povos e rompem equilíbrios construídos ao longo de séculos.Contra esse modelo, Alves defende o desmatamento zero, a agricultura familiar orgânica e o manejo sustentável dos solos. Propõe tecnologias inovadoras, nascidas do conhecimento indígena, caboclo e científico, capazes de equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Roça sem fogo, trio da produtividade, seleção de manivas-semente, sistemas agroecológicos, tudo o que ele pesquisou no campo vira, na sua escrita, argumento literário e projeto de futuro.Poeta e agrônomo, cientista e contador de histórias, Raimundo Alves é um autor que escreve com os pés na terra e os olhos no horizonte. Sua obra é um chamado: ainda é possível produzir sem destruir, viver sem devastar e sonhar uma Amazônia em pé.
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