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Me chamo Cesar Alexandre Silva. Nasci em São Paulo e cresci em Taboão da Serra, território periférico onde aprendi, desde cedo, o que é viver entre ausências, cortes e resistências. Sou lido como branco, mas carrego em mim a marca da descendência indígena, da pobreza e da marginalidade geográfica que nos empurra para os cantos, para os silêncios e para a luta.
Curso Licenciatura em Ciências Humanas, com previsão de formatura para o final de 2026. A formação me habilita a lecionar história, geografia, filosofia e sociologia, mas meu olhar caminha junto com a vivência: me interesso pelas questões que atravessam a vida de quem, como eu, nasceu à margem. Temas como identidade, exclusão, pertencimento e resistência.
Já estive nas escolas públicas como estagiário e residente, vendo de perto como o sistema educacional ainda falha com os nossos. Fui o primeiro presidente da primeira gestão eleita do Diretório Acadêmico da minha faculdade, um espaço que, até então, nem existia. Também realizei iniciação científica pesquisando a evasão na educação superior, buscando entender o papel das instituições socializadoras nesse processo de abandono forçado.
Escrevi meu primeiro livro como quem grita para não ser apagado. Para registrar o que vivi, o que vi, o que me atravessou e o que ainda me atravessa. Cada palavra aqui é também um ato de denúncia e de cuidado, porque contar nossas histórias é, antes de tudo, uma forma de existir. Espero que a leitura faça o leitor perceber que nada do que está posto é neutro, e que seguir reproduzindo certas estruturas é continuar permitindo que elas nos silenciem.