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Tenho sido estrangeiro por toda a vida. Talvez por isso tenha me tornado escritor.
Cresci aprendendo que o mundo tem mais camadas do que o olho alcança, e que as palavras, quando bem colocadas, conseguem tocar exatamente o que não tem nome. É aí que vivo quando escrevo.
Minha prosa nasce naquele lugar onde a lógica se curva e algo mais honesto começa a falar. Não escrevo para explicar. Escrevo para que quem lê reconheça em si mesmo algo que ainda não havia conseguido dizer.
Já estive no fundo do poço je á estive no topo da montanha. O que aprendi nos dois lugares é que o essencial raramente é o que aparece primeiro. Está nas pausas, nas entrelinhas, no que fica depois que o barulho passa.
Me reconheço como uma eterna reticência. Três pontos que lembram que nada está completamente encerrado, que algo ainda permanece por vir.
Se você também vive assim, entre o que já foi e o que ainda não chegou, é provável que a gente se entenda.
Hélio Teixeira
Alto Douro, Portugal
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