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“Cada vez que você se pergunta ‘de onde viemos?’, uma parte do cosmos tenta se lembrar.”
E talvez grande parte do que eu escrevo tenha nascido da minha incapacidade de simplesmente aceitar a vida sem questioná-la.
Eu gosto de olhar para o universo e tentar compreender de onde viemos. Gosto de olhar para a mente e perguntar por que somos como somos. E, no meio dessas duas imensidões — o cosmos lá fora e a consciência aqui dentro — comecei a escrever.
Durante muito tempo, nós aprendemos a procurar respostas. A chave para a felicidade. A fórmula para uma vida perfeita. O jeito certo de amar, de existir, de superar, de ser alguém.
Mas quanto mais eu estudo, leio e escrevo, mais interessante me parece outra possibilidade:
e se não houver chave?
E se a vida nunca tiver prometido fazer sentido o tempo inteiro?
Somos matéria de um universo imenso que, por algum acontecimento extraordinário, adquiriu consciência suficiente para perguntar sobre a própria existência.
E eu acho isso absurdamente bonito.
Talvez eu escreva justamente por isso: porque não tenho todas as respostas. Tenho perguntas.
Meu livro, A Vida Não Vai Te Salvar, nasceu desse lugar. Da mente, do absurdo, das nossas tentativas de controlar aquilo que talvez nunca tenha sido controlável.
Não escrevi para ensinar alguém a ter uma vida perfeita.
Escrevi porque talvez não exista uma.
E ainda assim estamos aqui.
Pensando. Sentindo. Questionando.
Por um intervalo minúsculo dentro da imensidão.
Talvez não precisemos vencer a existência.
Talvez precisemos percebê-la enquanto ela acontece.
— Jenifer Duarte
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