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Minha primeira bancada tinha algodão, acetona e vidrinhos de esmalte.
Sou filha de manicure e, antes de trabalhar com fórmulas, também trabalhei com as mãos de outras mulheres. Aos 16, já era office girl. Depois vieram a Farmácia, uma bolsa conquistada entre mais de 700 candidatos, os fins de semana fazendo unhas para ajudar a sustentar os estudos e uma curiosidade cada vez maior pelo que acontece dentro de um corpo.
A ciência me levou à pesquisa, ao desenvolvimento de produtos e a um congresso internacional, que foi também minha primeira viagem para fora do país.
Então veio o linfoma.
E o corpo, que durante anos eu aprendera a compreender pela linguagem da Farmácia, deixou de ser apenas assunto de estudo. Tornou-se experiência.
Foi nesse intervalo entre aquilo que eu sabia e aquilo que eu ainda precisava compreender que a escrita encontrou espaço.
Escrevo porque existem experiências que não cabem inteiras em exames, protocolos ou definições. Nelas também existem afeto, constrangimento, medo, amor e um tipo muito particular de humor, aquele que insiste em aparecer justamente quando ninguém o convidou.
Minha literatura vive aí: entre a precisão da ciência e a absoluta falta de precisão da vida.
Selos de reconhecimento
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