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Walmir Coelho, O Pretinho
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Com 1 aninho de idade estava no chão deitado paralítico numa esteira, mas, quando completei 2 aninhos de idade recebi um milagre: levantei e andei.

Comecei a crescer, fui me desenvolvendo e logo quando completei 8 anos de idade já estava na lavoura lá do sítio. Estava em um cafezal que tínhamos, era nosso sustento. Ali colhi o café junto com meu irmão e pais.

De manhã ía pra escola, voltava e já enfrentava todos aqueles trabalhos. Plantava com máquinas, capinava e vocês não imaginam a dificuldade que enfrentava quando estava fazendo esses trabalhos. Minha mão sangrava, doía, porém nunca deixei de enfrentar os obstáculos que apareciam na minha frente.

A lavoura era a forma de trazer sustento para a casa. Era tudo manual, carregava tudo até a casa, o terreiro e cafezal, colhia o café e levava para a secagem.

As máquinas pesadas passaram todas pelas minhas mãos. Mas ali sempre tive o apoio do meu irmão, que sempre me ajudava. Quando ia cortar com machado minha mão sangrava, mas eu nunca deixei de fazer. Ali eu chorava, ficava triste. Para vocês poderem ter uma ideia, a ferramenta que usava pra capinar é o mesmo modelo que uso hoje pra fazer a massa quando preciso assentar as alvenarias.

Trabalho de pedreiro, construí a minha casa. É um orgulho ter a minha casinha construída com minhas próprias mãos. Hoje, em tudo que faço, falo pras pessoas: não existe deficiência. Desde que tenhamos a mente aberta, as portas estão abertas!

Vamos nos adaptando às dificuldades, hoje quando vou pregar um prego, não consigo segurar com a mão, então seguro com o pé. Quando preciso cortar uma peça com serrote, seguro com o pé. As alvenarias, todas, tenho que usar diferentes membros do corpo. Para cortar o porcelanato com makita, riscadores e etc, tudo apoio com o pé.

Já fabriquei artesanato e tive uma fábrica de móveis junto com meu irmão, nós íamos para a rua vender. Tudo o que fizemos, até hoje, serve de aprendizado. Hoje toco violão e, às vezes, quando estou tocando, quase não acredito que sou responsável por melodias tão bonitas.

Quando estou dirigindo adoro os obstáculos que aparecem na minha frente, aquilo pra mim é incrível. O mesmo quando ando de bicicleta, me sinto muito bem enfrentando as dificuldades e executando tarefas que requerem habilidades motoras mais finas.

Sou cobrador de ônibus e tenho o maior prazer de falar da minha profissão.

Walmir Coelho, O Pretinho

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