Para que essa análise seja precisa, é fundamental desconstruir o mito mais persistente sobre a Irlanda do Norte: a ideia de que se tratava de uma guerra puramente religiosa entre católicos e protestantes. Embora os símbolos, os rituais e os rótulos confessionais tenham sido amplamente utilizados para demarcar os lados em disputa, a raiz profunda do conflito nunca foi teológica. Não se travava uma batalha sobre dogmas papais ou princípios da Reforma Protestante. A essência de The Troubles é de natureza política, territorial e socioeconômica.
De um lado estavam os nacionalistas ou republicanos (majoritariamente de origem católica), que reivindicavam a descolonização do território, o fim da discriminação civil e a reunificação com a República da Irlanda. Do outro, posicionavam-se os unionistas ou legalistas (majoritariamente de tradição protestante), que defendiam ferrenhamente a
manutenção dos laços políticos e a permanência da Irlanda do Norte sob a tutela do Reino Unido.
| Número de páginas | 71 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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