Confins da Piedade é uma narrativa em mosaico, situada nos sertões, onde a fé e a necessidade de sentido fazem do cotidiano um terreno fértil para a lenda. A obra acompanha a transformação do corpo comum em símbolo. Em Confins da Piedade, a devoção se converte em cobrança: o povo nomeia o espaço, organiza o rito e exige um sacrifício para “completar” a festa. No centro da primeira narrativa está Sebastião Caboclo, um homem de poucas palavras, reconhecido antes mesmo de se apresentar, como se seu nome já pertencesse ao lugar. Ele se desloca como sobrevivente e como mito em construção: atravessa a caatinga, se esconde na fuligem, é lançado ao asfalto e retorna ao mundo civil sem jamais voltar a ser inteiro. Nos contos seguintes, ao atravessar celebrações, povoados e estradas, ele (ou outros personagens) se torna alvo de expectativas coletivas: ora mensageiro, ora profeta, ora ameaça, sempre alguém em quem a comunidade tenta encaixar um destino. Sebastião resiste, nega, sangra, foge, e entende, com brutal lucidez, que negar também alimenta a crença, e que a santidade pode ser tão violenta quanto a perseguição. No retorno a Confins da Piedade, a história revela seu nervo: a comunidade precisa de símbolos para não encarar o vazio e, quando encontra um, tenta possuí-lo. Entre o real e o fabuloso, o livro expõe a mecânica íntima do mito: a “boca do povo” que inventa, repete, melhora, endurece.
| ISBN | 9786501930596 |
| Número de páginas | 109 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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