DRAKVORN E O CORAÇÃO DE FERRO
Ravkan Takogari Silva é gerente de supermercado em Recife, tem 30 anos, 1,70m de altura, 70 quilos – e um nome esquisito que a mãe tirou de um filme. Nada de herói. Até que seu avô, à beira da morte no Japão, conta a história de Drakvorn: uma espada forjada com o sangue e o hálito de um dragão ancestral e a alma de um forjador ambicioso. Ambos queriam ser imortais. A lâmina que nasceu desse pacto corrompeu reis, generais e rainhas por séculos, construindo impérios que desmoronavam quando o portador se perdia na ganância.
O chamado silencioso da espada consome Ravkan. Ele pega um empréstimo, compra um jipe velho (apelidado de Dracanela) e inventa para a família que vai ao sertão com um telescópio – mentira que ninguém engole. O Morro da Lâmina Chorosa o espera na caatinga, junto com o fogo do dragão, a invulnerabilidade do portador e o poder brutal de Drakvorn.
Ravkan empunha a espada. Sente o gosto do poder. Mata cachorros, incendeia uma cidade, quase assassina um homem – só para acordar do transe no último segundo. Mas o pior está por vir: quando o poder o domina, ele fere a própria irmã, Letícia, com um golpe cego.
Então Ravkan entende. A única vitória é quebrar o ciclo. Leva Drakvorn de volta ao sertão e, com um último esforço, parte a lâmina. Cinzas quentes sobem ao céu. As almas do dragão e do forjador são libertadas.
Ele volta para casa. A mãe mostra o bíceps e diz: "Senta, come, e nunca mais mexa com espada." Pela primeira vez em sema
| Número de páginas | 0 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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