Filhas da Aurora

O romance que se pratica

Por Luana Skopek

Código do livro: 1046947

Categorias

Sonhos, Mulheres, Magia, Ficção e Romance, Corpo, Mente E Espírito

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Esta página foi vista 12 vezes desde 17/09/2026
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Sinopse

Filhas da Aurora não é apenas um livro comum de romance. Também não é apenas um manual. É um espaço onde ambos vivem — um grimório completo onde ficção e prática se alimentam mutuamente.

"Uma curandeira queimada no século XIV. Uma erveira no Brasil colonial. Uma coordenadora de operações que acorda às três da manhã com cheiro de mato no décimo andar.

Três mulheres, sete séculos, a mesma alma — e um saber que ninguém conseguiu apagar."

Filhas da Aurora: o romance que se prática - Grimório Mágico é o primeiro livro da série Selenya: parte romance, parte manual de prática, parte caderno de registro. Você atravessa a história de Brígida, Aurora e Lena como ficção — e sai dela com um sistema de trabalho mágico nas mãos.

O que este grimório faz diferente:

Não romantiza a perseguição às bruxas nem repete os mitos que circulam há décadas. Nomeia as fontes, separa o que é documento do que é invenção do século XIX, e explica por que a diferença importa.

Não fantasia sobre religiões afro-brasileiras. Candomblé e Umbanda têm fundamento próprio, e este livro diz isso com todas as letras: respeito, não estética.

Não promete milagre. Cada um dos doze feitiços termina com uma raiz concreta — o que você vai fazer no mundo depois de apagar a vela.

Características

ISBN 9786502303634
Número de páginas 224
Edição 1 (2026)
Formato A5 (148x210)
Acabamento Brochura c/ orelha
Coloração Colorido
Tipo de papel Polen
Idioma Português

Tem algo a reclamar sobre este livro? Envie um email para atendimento@clubedeautores.com.br

Luana Skopek

Eu escrevo desde pequena.

Talvez porque, desde muito cedo, a minha criatividade nunca tenha cabido

direito dentro da minha cabeça — e muito menos naquilo que eu conseguia

expressar pelas minhas ações. Sempre havia alguma coisa a mais. Uma história

que continuava depois que todo mundo já tinha ido embora. Uma pergunta

escondida atrás de outra pergunta. Um pensamento que nascia de algo

absolutamente banal e, de repente, virava uma reflexão gigantesca sobre a vida.

A escrita nasceu nesse lugar. Como uma saída. Como um território. Como

uma forma de transformar em palavras aquilo que, de outro jeito, continuaria

fazendo barulho dentro de mim.

Sempre me senti diferente e, ao mesmo tempo, muito igual. Passei boa parte

da vida tentando compreender qual era o meu lugar no mundo. Ainda tento.

Questiono minhas escolhas, meus desejos, as relações, o amor, a liberdade,

quem somos quando ninguém está olhando e quem nos tornamos para

corresponder ao olhar dos outros.

E eu adoro isso.

Pensar sobre a coisa mais simples, boba ou abstrata da existência me dá um

prazer imenso. Uma conversa, uma música, uma estrada, uma lua bonita no céu,

alguém indo embora, alguém chegando, um silêncio estranho, um desejo que

não sabemos explicar — tudo pode virar história. Talvez porque eu nunca tenha

acreditado muito em vidas vividas dentro de caixas.

Acredito na liberdade.

Acredito em espíritos livres.

Acredito profundamente no direito de cada pessoa escolher como quer viver,

amar, existir e construir a própria história — desde que essa liberdade não

destrua a liberdade do outro.

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Não gosto de julgamentos fáceis. Não acredito que pessoas caibam

perfeitamente em classificações entre certas e erradas, boas e ruins. Ainda

acredito no bem e na boa intenção do ser humano, mesmo sabendo que nem

todos são bons.

Isso provavelmente diz bastante sobre mim.

Tenho trinta e cinco anos e ainda acumulo sonhos como quem coleciona

lugares num mapa que pretende visitar algum dia.

Quero um motorhome. Quero conhecer o mundo com meus cachorros.

Quero uma moto, uma jaqueta de couro, uma estrada bonita e música alta —

qualquer música, desde que consiga tocar o meu corpo. Quero ter um café

solidário que ajude cães abandonados. Quero uma pousada no Nordeste. Quero

conhecer lugares que ainda nem sei pronunciar. Quero continuar começando

coisas novas mesmo quando disserem que já passei da idade de começar.

E agora existe mais um sonho nessa lista: escrever.

Ou, dizendo com mais precisão: finalmente permitir que aquilo que sempre

existiu dentro de mim encontre uma forma de existir fora.

Curiosamente, este livro nem deveria existir. Pelo menos não no começo. Eu

estava criando um site quando uma amiga, a Dayse, plantou uma ideia:

— Por que você não transforma isso em um livro?

Algumas frases mudam rotas inteiras sem fazer barulho. Aquela foi uma

delas. Então: obrigada, Dayse. Selenya talvez continuasse existindo apenas em

arquivos, imagens, pensamentos e fragmentos espalhados se você não tivesse

enxergado um livro antes mesmo de eu enxergá-lo.

Selenya nasceu como um alter ego, mas rapidamente percebi que ela carrega

partes minhas que talvez sejam mais verdadeiras do que qualquer biografia seria

capaz de explicar. Ela representa desejos, contradições, sombras, coragem,

sensualidade, liberdade, medo, ancestralidade, espiritualidade — e tudo aquilo

que muitas vezes aprendemos a esconder para continuar funcionando direito no

mundo.

Porque ser mulher já envolve uma quantidade absurda de papéis.

Há uma passagem de Barbie que traduz essa contradição de um jeito quase

doloroso de tão preciso: espera-se que uma mulher seja forte, mas não

intimidadora; bonita, mas sem parecer preocupada demais com isso; bem

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sucedida, mas disponível; cuidadora, mas independente; confiante, mas nunca

em excesso; capaz de sustentar todos ao redor e ainda fazer parecer que não está

cansada.

Vivemos tentando equilibrar expectativas que se contradizem entre si. E no

meio delas existe uma mulher. Uma pessoa. Uma história.

Eu conheço bem essa sensação.

A minha vida é uma loucura. Eu trabalho muito. Tenho minha casa, minha

família, meus pais, meu parceiro, meus cachorros, responsabilidades,

expectativas de outras pessoas, projetos, hobbies, sonhos, contas, compromissos

e uma mente que raramente decide ficar em silêncio. Existem muitos mundos

acontecendo ao mesmo tempo dentro de mim.

Selenya surgiu porque eu precisava de algum lugar onde todos eles pudessem

coexistir. Sem pedir desculpas. Sem precisar escolher.

Entre a mulher profissional e a mulher intuitiva.

Entre a responsável e a aventureira.

Entre aquela que constrói estratégias e aquela que acredita em símbolos,

luas, histórias e magia.

Entre quem ama a própria casa e quem sonha em desaparecer pela estrada

durante meses.

Entre quem conhece de perto as responsabilidades da vida adulta e quem

ainda sente uma curiosidade quase infantil diante do mundo.

Somos muitas.

E muito antes de nós, outras mulheres também foram muitas. Existe uma

ancestralidade feminina atravessando nossas escolhas, nossos medos, nossos

silêncios e até algumas dores que talvez nunca tenham começado em nós.

Carregamos histórias de mulheres que precisaram se calar. Que desejaram mais

do que puderam viver. Que foram julgadas por sentir demais, querer demais,

falar demais — ou simplesmente por existir de uma maneira diferente da

esperada.

Escrever Selenya também é, para mim, um pequeno ato de liberdade.

Eu já vivi coisas suficientes para escrever alguns outros livros. Algumas

maravilhosas. Outras completamente absurdas. Algumas que provavelmente

fariam alguém perguntar: isso aconteceu mesmo?

Aconteceu.

7

Mas essas histórias ficam para outro momento. Por enquanto, contento-me

em viver algumas delas através de Selenya.

Este livro não pretende ensinar mulheres a serem mulheres. Deus me livre —

o mundo já passou tempo demais tentando fazer isso. Também não quero dizer

como alguém deveria amar, desejar, escolher, partir, permanecer, acreditar ou

existir.

Quero apenas contar uma história. Uma história sobre liberdade, identidade,

desejo, ancestralidade, escolhas e todas as versões que podem existir dentro de

uma mesma mulher.

Talvez você se reconheça muito nela. Talvez pouco. Talvez nada. E está tudo

bem — nenhuma coisa verdadeiramente pessoal consegue agradar a todo

mundo. Mas espero que ela toque algumas.

Se, em algum momento destas páginas, você encontrar uma única linha que

pareça ter sido escrita para algo que você já sentiu e nunca conseguiu explicar,

então este livro já terá valido a pena para mim.

Se Selenya fizer você lembrar de alguma versão sua que ficou esquecida pelo

caminho, melhor ainda. Se fizer você questionar alguma coisa, ótimo. Se

despertar vontade de viajar, amar, escrever, mudar, começar de novo, colocar

uma música alta, olhar para a lua ou simplesmente escolher um pouco mais a si

mesma, então ela cumpriu o que veio fazer.

Talvez todas nós carreguemos uma.

Uma mulher que observa da sombra. Que conhece nossos desejos. Que

lembra quem éramos antes de começarmos a cumprir tantas expectativas. Que

ainda sonha. Que ainda deseja. Que ainda pergunta:

E se eu pudesse simplesmente ser?

Este livro nasceu exatamente dessa pergunta.

E esta é apenas a primeira página

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