O mundo e suas revoluções... Oh, mil perdões, camarada, não o avistei, nem escutei os seus passos, é culpa do vinil, toda culpa é do vinil! Não se acuar com meus devaneios, estou meramente emocionado e retrospectivo; acabei por reler um caderninho empoeirado entre os glossários, anotações amassadas de um relato magistral. Lembro somente de suas gesticulações dramáticas e pomposas sobre as "Odisseias", como o mesmo as intitulava.
Chorava e ria num fio breve de eloquência e balbúrdia. Dizia à sua plateia que era "o literato insone" e enfatizava seus noturnos apaixonadamente; era bravo e valente na sua decadência. A conversa melhorava com o decorrer das rodadas até que me dei o luxo de anotar em sigilo parcela daquilo que fora pronunciado. Seria um desperdício deixar aquelas palavras se esvaírem com o vento. Mesmo que prolixo e difuso, ele possuía ainda um caráter autoral de sua nobreza, tornando-se meditativo e febril quando não o interrompíamos.
A noite passara, e percebi que usei todos os guardanapos do botequim para meramente compor uma nesga daquilo proferido em minha presença. Na desorganização, compus essa peça fragmentada em lampejos de consciência. Quem sabe, nos lembraremos, à medida que o narro, deste feito de vosso Ulisses alcoolizado?
Vamos, acomode-se nessas poltronas jogadas pela casa. Não se preocupe com a bagunça, sempre foi assim mesmo. O convido a sacrificar algumas luas aqui comigo, pois afinal, temos aqui a literatura dos insones.
| Número de páginas | 382 |
| Edição | 1 (2025) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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