‘O PARADOXO DO INCONSCIENTE COLETIVO’ : OU ‘DE COMO NECESSARIAMENTE OS HOMENS DAS SOMBRAS EM TODAS AS NAÇÕES SEMPRE CHEGARÃO AO PODER DE MODO INEVITÁVEL E INDEPENDENTEMENTE DE QUALQUER LEGISLAÇÃO VIGENTE OU DE NOSSA REPULSA OU GOSTO PESSOAL
OU ‘A BELEZA É UM DESVIO MÍNIMO NO CHAOS
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Sinopse

‘O PARADOXO DO INCONSCIENTE COLETIVO’ : OU ‘DE COMO NECESSARIAMENTE OS HOMENS

DAS SOMBRAS EM TODAS AS NAÇÕES SEMPRE CHEGARÃO AO PODER DE MODO INEVITÁVEL E

INDEPENDENTEMENTE DE QUALQUER LEGISLAÇÃO VIGENTE OU DE NOSSA REPULSA OU

GOSTO PESSOAL, VISTO QUE FAZ PARTE DO JOGO DE LUZ E SOMBRAS DA PSIQUÊ COLETIVA,

A ASCENSÃO DO NIGREDO PARA QUE ESTE SEJA TRANSMUTADO EM ALBEDO, CITRINITAS E

RUBEDO, NESTE ÍNTERIM, NÃO SE DARIA O AVANÇO DA COSNCIÊNCIA HUMANA SEM ESTA

INTEGRAÇÃO PROFUNDA E DE COMO PRECISAMOS AMADURECER COMO CIVILIZAÇÃO E

SOCIEDADE CIVIL EM LIDAR COM ESTES TIPOS REPUGNANTES E MALIGNOS QUE APARECEM

NA RIBALTA DE TEMPOS EM TEMPOS E TRATÁ-LOS COM RESPEITO E REGRAS DE EXTREMA

PRUDÊNCIA, POIS, O MAL RADICAL É ORIUNDO DA MESMA FONTE DO BEM INVERENCIAL E

DEVIDO AO FATOR ESTRATÉGICO DE ENFRENTAMENTO DO MAL, O MAL É SEMPRE

SUPERFICIAL E BANAL, É VULGAR, É VIL, É COMUM, POR MELHOR QUE ESTE PAREÇA À

PRIMEIRA VISTA, EIS O NOSSO CONSELHO, IRMÃOS, JOGUE XADREZ COM O MAL SEMPRE,

EVITE O CONFRONTO DIRETO NO TERRITÓRIO IMANENCIAL DELES E POR ÚLTIMO, APAGUE-OS

DA HISTÓRIA ASSIM QUE POSSÍVEL, ESSA É A MAIOR PUNIÇÃO QUE O MAL RADICAL PODE

SOFRER, O ANONIMATO POR TER TIDO UMA VIDA MEDÍOCRE, CAPICHE’ ? ...

OU ‘A BELEZA É UM DESVIO MÍNIMO NO CHAOS, UMA HOMENAGEM À MITOLOGIA DO CAOS NO

ROMANTISMO E NA MODERNIDADE DE WINFRIED MENNINGHAUS’ : OU DOS CONCEITOS

ANTIGOS DE COSMOLOGIA, QUANDO SE DIFERENCIAM EM DISCIPLINAS INDIVIDUAIS, SÃO

GERALMENTE FADADOS A SOBREVIVER APENAS COMO LITERATURA E MITOLOGIA. O CAOS E

OS CONCEITOS QUE SE LHE OPÕEM DE ORDEM E DIFERENÇA OU DIFERENCIAÇÃO (ΔΙΑΚΡΙΣΙ,

ΑΠΟΚΡΙΣΙ) SÃO HOJE A MAIS PROEMINENTE EXCEÇÃO À REGRA. NAS DUAS ÚLTIMAS

DÉCADAS, A FILOSOFIA, A LITERATURA, AS CIÊNCIAS NATURAIS E AMATEMÁTICA VOLTAM

NOVAMENTE A CONVERGIR NO EMPREGO DESSES CONCEITOS COMOSISTEMAS

FUNDAMENTAIS DE INVESTIGAÇÃO PARA DESCREVER O MUNDO. A NOÇÃO DE

CAOSRECONQUISTOU TANTA IMPORTÂNCIA E ESTÁ TÃO PRESENTE QUE VOLTOU A TER UM

VALOR EUMA FUNÇÃO IDEOLÓGICA SECUNDÁRIA E FUNCIONA COMO UM ENFOQUE DA AUTOREFLEXÃODO ZEITGEIST DA ATUALIDADE.O IMPULSO DECISIVO PARA A POPULARIDADE

REPENTINA DO CAOS NOS DIAS DE HOJE VEIO DAS TEORIAS DE SISTEMAS NÃO-LINEARES

E DOS PROCESSOS BIOLÓGICOS DE AUTO-ORGANIZAÇÃO. DESCOBRIU-SE, EM MUITAS

ÁREAS, QUE ATÉ MESMO SISTEMAS ESTRITA-MENTE DETERMINISTAS TOMAM UM RUMO

IMPREVISÍVEL; QUE A ORDEM SEMPRE SE TOR-NA NOVAMENTE CAOS AO MESMO TEMPO

EM QUE TAMBÉM SEMPRE EMERGEAUTOPOETICAMENTE DAS ESTRUTURAS CAÓTICAS. EM

CONSEQÜÊNCIA, DESENVOLVEU-SE NOVAE ESTIMULANTE CIÊNCIA DAS BIFURCAÇÕES

IMPREVISÍVEIS, INDETERMINADAS E INDERIVÁVEIS.HOJE ELA PERPASSA TODOS OS CAMPOS

CIENTÍFICOS EM TAL GRAU QUE UM MICHEL FOUCAULT DO FINAL DO SÉCULO XXITALVEZ

PUDESSE CONSIDERÁ-LA O DISPOSITIF ARQUEOLÓGICOEPISTÊMICO DO FINAL DO SÉCULO

XX. A PESQUISA DO CAOS NA MATEMÁTICA E NAS CIÊNCIAS NATURAIS, TODAVIA, NÃO É

OTEMA DE MINHA PALESTRA. MEU ÚNICO INTUITO É ANALISAR AQUELAS RETOMADAS DO

CAOSQUE OCORRERAM MAIS OU MENOS SIMULTANEAMENTE NAS CIÊNCIAS HUMANAS: AS

CON-CEPÇÕES FILOSÓFICAS, SOCIOLÓGICAS E ESTÉTICAS DO CAOS. O MATERIAL QUE

UTILIZO DERIVADE TRÊS CONCRETIZAÇÕES PRINCIPAIS DO CAOS: A COSMOLOGIA CLÁSSICA

DE HESÍODO E OVÍDIO,A REINVENÇÃO PROGRAMÁTICA DO CAOS COMO UM DOS CONCEITOS

CENTRAIS DA FILOSOFIA EPOÉTICA DOS PRIMEIROS ROMÂNTICOS ALEMÃES, E A RETOMADA

MAIS RECENTE DO CAOS EDA DIFERENÇA NA DESCONSTRUÇÃO DE JACQUES DERRIDA E NA

TEORIA DOS SISTEMAS DE NIKLASLUHMANN. AS OBSERVAÇÕES VOLTAM-SE PRIMEIRO PARA

A LÓGICA FUNDAMENTAL, DEPOISPARA A ESTÉTICA E FINALMENTE PARA A ÉTICA OU

IDEOLOGIA DO PENSAMENTO DO CAOS.MITOLOGIA DO CAOSNO ROMANTISMO E NA

MODERNIDADE DE MARCAÇÕES DE FRONTEIRAS ENTRE CAOS E ORDEMOS DOIS PRIMEIROS

VERSOS DAS METAMORFOSES DE OVÍDIO NARRAM A ORIGEM DOMUNDO CRIADO A PARTIR DO

CAOS: “ANTES DE EXISTIREM O OCEANO, A TERRA E OS CÉUSCOBRINDO TUDO / A NATUREZA

MOSTRAVA APENAS UMA ÚNICA FACE NO MUNDO INTEIRO./ CAOS ERA SEU NOME: UMA

MASSA BRUTA, INFORME, / NADA MAIS QUE UM PESOINERTE E, NELE ACUMULADAS, / AS

2

SEMENTES DAS COISAS, NUM GRANDE AMONTOADO.”(VV.5-9).ESSE GRANDE AMONTOADO

(CONGERIES) CHEIO DE POTENCIAL E DE SEMINA RERUMÉ “DIVIDIDO E SEPARADO E DEPOIS

ORDENADO EM SEGMENTOS” POR UM DEUS: QUISQUISFUIT ILLE DEORUM FICA ASSIM

EVIDENTE A DIREÇÃO TEMPORAL: PRIMEIRO O CAOS; EM SEGUIDA, DEPOIS QUE ELE FOI

SEPARADO E SUPERADO: O COSMOS. OS DOIS DEFINEM DIFERENTES ERAS DO MUNDO E,

EMBORA PROCEDAM UM DO OUTRO, CADA QUALEM SUA ESTRUTURA É PRECISAMENTE O

OPOSTO DO OUTRO: NO CAOS HÁ POTENCIALIDADENA FORMA DE INDIFERENÇA; NO COSMOS

HÁ REALIDADE NA FORMA DE DIFERENÇA. A CON-CEPÇÃO MODERNA DE CAOS AFASTA-SE

DESSAS DUAS DETERMINAÇÕES BÁSICAS DO MODELOMITOLÓGICO. JÁ NÃO OBEDECE AO

MOVIMENTO TEMPORAL DE MÃO ÚNICA DO CAOS PARAO COSMOS, MAS ASSUME A DIREÇÃO

CONTRÁRIA ALÉM DE ACEITAR UMA OSCILAÇÃO PERMA-NENTE ENTRE OS DOIS PÓLOS.

ASSIM, O PRÓPRIO CAOS, PELA PRIMEIRA VEZ, RECEBE UMAHISTÓRIA. EM HESÍODO E OVÍDIO

ELE É DE FATO PARTE DE UMA NARRATIVA MITOLÓGICA, MAS ALI O CAOS NÃO TEM GÊNESE

ALGUMA. MUITO PELO CONTRÁRIO, É A BASE OPACA EPRIMÁRIA, O PRESSUPOSTO PRÉHISTÓRICO DE TODA GÊNESE E APENAS O SEU DESAPARECI-MENTO, QUE CONSTITUI A

ORIGEM DO MUNDO, ENTRA NA NARRATIVA COSMOLÓGICA. ASTEORIAS DO CAOS DE HOJE,

NO ENTANTO, NARRAM A GÊNESE SEMPRE NOVA DO PRÓPRIO CAOS, E, DESSA FORMA,

PELA PRIMEIRA VEZ NOS FORNECEM A SUA GENEALOGIA. ALÉM DISSO, ATUALMENTE, A

DIFERENÇA ENTRE CAOS E COSMOS RECORRE DENTRO DAS PRÓPRIASDEFINIÇÕES DE CAOS E

ORDEM: JÁ NÃO EXISTE NENHUM CAOS PURO E NENHUMA ORDEMPURA. FINALMENTE, AS

NOVAS FORMAS DE CAOS ASSOCIAM AS CARACTERÍSTICAS DE FERTILI-DADE E VIDA, AO

PASSO QUE A FERTILIDADE DO CAOS OVIDIANO ERA EM SI MESMA CONTRÁ-RIA À VIDA; O

MUNDO SÓ PODERIA TORNAR-SE HABITÁVEL PARA OS DEUSES DO OLIMPO EPARA OS SERES

HUMANOS MEDIANTE A NEGAÇÃO DO CAOS. GOSTARIA AGORA DE SUGERIRCOMO A

COSMOLOGIA ANTIGA JÁ ANTECIPA ESSAS COMPLEXAS DEMARCAÇÕES DE

FRONTEIRASENTRE O CAOS E A ORDEM.NA TEOGONIA DE HESÍODO, JÁ DESDE O PRINCÍPIO O

CAOS NÃO É ABSORVIDO PELADIFERENCIAÇÃO DO MUNDO. AO CONTRÁRIO, O CAOS

PRIMOGÊNITO E SEUS SUCESSORES, ANEGRA NOITE, O ÉREBO E VÁRIAS OUTRAS

MONSTRUOSIDADES NEFANDAS CONSTITUEM UMASINISTRA CONTRAPARTIDA DO MUNDO

DIFERENCIADO. O MUNDO POSITIVO, ISTO É, O OCEA-NO, OS CÉUS, AS MONTANHAS, URANO,

CRONOS E OS DEUSES DO OLIMPO NÃO EMERGEMDO CAOS, MAS DE GAIA, QUE FOI A

SEGUNDA A NASCER DE FORMA AUTÓCTONE. MAS ÉINTERESSANTE VER COMO OS

DESCENDENTES DO CAOS E DE GAIA NÃO SE ISOLAM SIMPLES-MENTE EM DUAS SÉRIES

OPOSTAS, MAS SE ENTRELAÇAM EM VÁRIOS MOMENTOS. ASSIM OS ESTUDOS DO CAOS, ISTO

É, OS DESCENDENTES DOS FILHOS DO CAOS, ÉREBO E A NEGRA NOITE(ΝΥΞ) INCLUEM O AZUL

CELESTE (AΙΘΗΡ) E O DIA CLARO (HΜΕΡ Α) (VV. 123-125) –FENÔMENOS, PORTANTO, QUE NÃO

PERPETUAM A SÉRIE NEGRA, MAS, PELO CONTRÁRIO, A TRANSFORMAM INVERTENDO-A EM

SEU OUTRO. TUDO O QUE A LUZ DO DIA NOS PERMITE VER PERMANECE COMO TAL

ILUMINADO POR SUA DESCENDÊNCIA DO CAOS. POR OUTROLADO, GAIA GERA TAMBÉM A

TRIBO SINISTRA DE ERÍNIAS (V. 185) E SEUS NETOS INCLUEMTODOS OS TIPOS DE CRIATURAS

MONSTRUOSAS TAIS COMO O CÉRBERO DE CINQÜENTA CABE-ÇAS E A HIDRA, CUJA PRÓPRIA

AUSÊNCIA DE MOLDE SE TORNA MOLDE, CUJA CAÓTICA AMORFIASE TORNA FORMA (VV. 295-

315). EMBORA NÃO HAJA QUALQUER CRUZAMENTO DIRETO DOSDESCENDENTES DO CAOS E

DE GAIA, TANTO SUAS CARACTERÍSTICAS COMO SEUS DOMÍNIOSSE ENTRECORTAM; AO INVÉS

DE SAÍREM UM DO OUTRO PARA DEPOIS SE SEPARAREM, AMBOSCONTINUAM EM

PERMANENTE INTERAÇÃO. OVÍDIO TAMBÉM NOS PERMITE RECONHECEREM SEU QUADRO

DO DILÚVIO UMA ESPÉCIE DE RETORNO DO CAOS, E NAS OCASIONAL-MENTE BIZARRAS

METAMORFOSES DE PERSONAGENS MOSTRA UMA ESPÉCIE DE PRESENÇACONTÍNUA DO CAOS

(1).NO PENSAMENTO ROMÂNTICO INICIAL A INTERVENÇÃO DO CAOS NO SISTEMA CONHE-CE

UMA LEGITIMAÇÃO MULTÍPLICE. PARA OS PRIMEIROS ROMÂNTICOS, SISTEMAS CUJA AUTOREFERÊNCIA NÃO SOFRA CONSTANTEMENTE UMA INTERRUPÇÃO CAÓTICA NÃO PERMITEM

QUAIS-QUER VIDA, VARIEDADE E ABUNDÂNCIA DE FENÔMENOS. EM OPOSIÇÃO À ORDEM

RÍGIDANA POLÍTICA, NA FILOSOFIA E NA LITERATURA, FRIEDRICH SCHLEGEL E NOVALIS

EXIGEM NOVAMISTURA DE CAOS E ORDEM. ORDEM E SISTEMA JÁ NÃO SIGNIFICAM A

DIFERENCIAÇÃO DOCAOS MAS, AO CONTRÁRIO, TORNAM-SE POR SUA VEZ – E AQUI HÁ PLENA

CONSCIÊNCIA DOCONCEITO DE MISTURA DA QUÍMICA CONTEMPORÂNEA – MISTURAS DE CAOS

E ORDEM. OINSISTENTE PEDIDO ROMÂNTICO DE NOVAS E MAIS COMPLEXAS DEMARCAÇÕES

3

DE FRONTEI-RAS ENTRE A ORDEM E O CAOS TEM DIMENSÕES FILOSÓFICOTRANSCENDENTAIS, ESTÉTICAS EHISTÓRICO-FILOSÓFICAS; AQUI CONSIDERAREI ANTES A

PRIMEIRA E A TERCEIRA DIMENSÃO.O PONTO FILOSÓFICO-TRANSCENDENTAL DE UM

“SISTEMA DE FILOSOFIA CAÓTICA” (2)BASEIA-SE NO DISCERNIMENTO CRÍTICO DE QUE OS

SISTEMAS FILOSÓFICOS NÃO PODEM EX-PLICAR A “REALIDADE”, A “TOTALIDADE” E O

“ABSOLUTO” PRECISAMENTE NA MEDIDA QUESUAS CONSTRUÇÕES CONCEPTUAIS ESTÃO

CEGAS PARA AS SUAS PRÓPRIAS IDEALIZAÇÕES – EISSO SE ASSEMELHA À MANEIRA EM QUE

A ATUAL TEORIA DO CAOS CRITICA AS IDEALIZAÇÕES E,CONSEQÜENTEMENTE, A

IRREALIDADE NORMATIVA DA FÍSICA CLÁSSICA. “SE ALGO É UM SISTE-MA,” INFERE SCHLEGEL

IMPIEDOSAMENTE, “NÃO É ABSOLUTO. A UNIDADE ABSOLUTA SERIAALGO COMO UM CAOS DE

SISTEMAS” (3). NÃO É, PORTANTO, UM CAPRICHO ROMÂNTICO, MAS, PRECISAMENTE, UM

INTERESSE EPISTEMOLÓGICO QUE LEVA OS ROMÂNTICOS A ROM-PEREM MUITAS E MUITAS

VEZES FORMAS FECHADAS E UNIFICADAS. PARÁBASE E IRONIA SÃO NOMES QUE SE DÃO A

ESSA INTERRUPÇÃO E DESTRUIÇÃO POSITIVAS. NO CONTEXTO DACOMÉDIA DE

ARISTÓFANES A PARÁBASE ERA UMA INTERRUPÇÃO DA AÇÃO QUANDO O CORO SEDIRIGIA AO

PÚBLICO (4); A PARÁBASE PRODUZ DESSE MODO INTERRUPÇÕES NA SEQÜÊNCIADA ILUSÃO

DRAMÁTICA. ALÉM DISSO, A IRONIA CONFUNDE TODAS AS DIFERENCIAÇÕES FIXASDE = E – (5)

E PRODUZ AQUELA CODIFICAÇÃO DUPLA QUE LEVOU SCHELLING A IDENTIFICAR O, 96CAOS

COM A FACE DE JANUS, EXATAMENTE COMO A PROMESSA ONTOLÓGICOEPISTEMOLÓGICA, ASSIM TAMBÉM A PROMESSA FILOSÓFICO-HISTÓRICA NA PRODUÇÃO

DOCAOS NÃO HESITA EM TRANSFORMAR AS OUTRORA NEGATIVAS ASSOCIAÇÕES DE

ANARQUIA EREVOLUÇÃO (7) EM VALORES POSITIVOS. AS FORMAS DE ABSTRAÇÃO QUE ERAM

SENTIDASCOMO INUMANAS, FEIAS E DESPROVIDAS DE SENTIDO, E CUJO CONTEXTO

HISTÓRICO SE DES-CREVE COMO UM CAOS NEGATIVO (8) PASSAM A TER NOVO APELO E NOVA

VIDA MEDIANTEUMA CAOTIZAÇÃO REPETIDA. ESSE RELANÇAMENTO REFLEXIVO DO CAOS,

CONFIAVAM OS RO-MÂNTICOS, ABRE A POSSIBILIDADE DE UMA MISTURA BONITA DE CAOS E

ORDEM, PERMITINDOQUE A ARTE E A VIDA SE BENEFICIEM COM UM HORIZONTE

INDETERMINADO, COM UMPOSICIONAMENTO INCERTO ENTRE EXTREMOS E TRANSIÇÕES

SEMPRE NOVAS. NESSA MISTURANÃO É APENAS A ORDEM QUE ESTÁ PERMEADA DE CAOS: O

CAOS TAMBÉM SEMPRE TRAZCONSIGO UMA ORDEM. É, COMO SCHLEGEL DISSE UMA VEZ,

“SIMETRICAMENTE CAÓTICO” (9).PARA O PROJETO ROMÂNTICO DE CRIAR NOVA MITOLOGIA

QUE PROPORCIONASSE “UMNOVO LEITO E UM NOVO RECIPIENTE PARA A ANTIGA ETERNA

FONTE DA POESIA (10)”, ALIBERAÇÃO DO CAOS TEM CONSEQÜÊNCIAS INTERESSANTES. POR

UM LADO, A NOVA MITOLO-GIA DEVERIA COMPENSAR A DESORIENTAÇÃO DO CAOS DA ÉPOCA

E FORNECER UM FUNDA-MENTO QUE FOSSE NOVA BASE COMUM E FATOR DE UNIDADE. POR

OUTRO LADO, O RETORNODE UMA IDÉIA RECUPERADA DO CAOS NO ÂMBITO DO REMÉDIO

CONTRA O CAOS IMPEDEQUALQUER ESTABILIZAÇÃO RESTAURADORA DA MITOLOGIA

POSITIVA DO INÍCIO DO ROMANTIS-MO. A MITOLOGIA DO CAOS É ATÉ ESSE PONTO UMA

ESPÉCIE DE MITOLOGIA QUE NÃOLIBERA NENHUMA ENTIDADE MITOLÓGICA ESTÁVEL, MAS,

PELO CONTRÁRIO, SUBSTITUI O FUN-DAMENTO PERDIDO DA MODERNIDADE APENAS NA

FORMA DE UMA PERMANENTEAUTODESESTABILIZAÇÃO DOS FUNDAMENTOS.A

DESCONSTRUÇÃO, SEGUNDO O PENSAMENTO DE DERRIDA, DESCOBRE EM TODAS ASORDENS

APARENTEMENTE FECHADAS E OPOSIÇÕES ESTÁVEIS ASPECTOS QUE LHES MINAM

EFINALMENTE APAGAM O CONTROLE. NESSE SENTIDO A DESCONSTRUÇÃO CONTINUA O

PROJE-TO ROMÂNTICO DE ENTREMESCLAR TODA IDENTIDADE E TODO SISTEMA COM

TENDÊNCIASCAÓTICO-CENTRÍFUGAS. ESSA ENTREMESCLAGEM, PORÉM, JÁ NÃO ESTÁ LIGADA

A QUALQUERESPÉCIE DE INTENCIONALIDADE OU A QUALQUER TEMA ROMÂNTICO QUE SEJA,

MAS TENDEPELO CONTRÁRIO A SER CONCEBIDA COMO UM ACONTECIMENTO INEVITÁVEL,

ATEMÁTICO, DETODA TEXTUALIDADE, SOBRE O QUAL PODEMOS NO MÁXIMO NOS ILUDIR A

NÓS MESMOS,MAS CUJA PRODUÇÃO NÃO DEPENDE DE NÓS. PORQUE O ATO DE ARTICULAÇÃO

QUE, NAFAMOSA IMAGEM DE SAUSSURE, EXTRAI UNIDADES DISTINTAS DE UMA NUVEM

DISFORMEDE IDÉIAS, AO ESTABELECER FORMA DISTINTA IMEDIATAMENTE PRODUZ OUTRA

VEZ EFEITOSDE CAOS. PRENDENDO IRREMEDIAVELMENTE TODO SIGNIFICANTE A MARCAS DE

SIGNIFICA-ÇÃO QUE, POR SUA VEZ, ESTÃO PRESAS A TODAS AS OUTRAS MARCAS

ARBITRÁRIAS DA LINGUA-GEM E DISPONÍVEIS PARA REPETIÇÃO EM OUTROS CONTEXTOS,

NOUTRAS OCASIÕES, A ARTICU-LAÇÃO IMPEDE A UNIDADE DE UM PENSAMENTO OU DE UMA

IDÉIA CONSIGO MESMA E ACONSIGNA À TRAJETÓRIA DE CONTINGÊNCIA E HETORONOMIA

4

INSUPERÁVEIS. EFEITOS ANÁLO-GOS AO CAOS – QUE, OBVIAMENTE, EM GERAL NÃO

CIRCULAM SOB ESSE NOME – SÃO ASSIMTEMATIZADOS PELA DESCONSTRUÇÃO NÃO COMO O

OUTRO E MERO SUBSTRATO DA ORDEM, OU COMO SUA DELIMITAÇÃO EXTERNA, MAS, ANTES,

COMO ALGO QUE SEMPRE JÁ HABITA APRÓPRIA ORDEM EM SI. A FUSÃO DE OPOSIÇÕES

ESTÁVEIS E A INDETERMINAÇÃO SÃO EFEITOSDA PRÓPRIA DIFERENÇA ATIVA E NÃO DA

AUSÊNCIA TRANSCENDENTAL DE DIFERENCIAÇÃO NOSENTIDO DAS ANTIGAS

COSMOLOGIAS. ESSA VARIAÇÃO DO CONCEITO DE CAOS ORIENTADAPARA A LINGUAGEM

FOI ANTECIPADA POR SCHLEGEL QUANDO ESTABELECEU UM PARALELOENTRE A OPOSIÇÃO

DE CAOS E SISTEMA E A OPOSIÇÃO DE LETRA E ESPÍRITO [GEIST] (11). ALETRA, SEM A QUAL

NÃO HÁ ESPÍRITO ALGUM PARA OS ROMÂNTICOS, É AO MESMO TEMPOAQUILO QUE CAOTIZA

A ORDEM DO ESPÍRITO, SUA AUTO-IDENTIDADE.NA DESCONSTRUÇÃO O CAOS TORNA-SE,

CONSEQÜENTEMENTE, UM EFEITO DA DIFE-RENÇA E, PORTANTO, UM ACONTECIMENTO NO

ÂMBITO DA PRÓPRIA ORDEM. A TEORIAAVANÇADA DE SISTEMAS (MATURANA, V.

FOERSTER, LUHMANN) PARTILHA COM ADESCONSTRUÇÃO DA PERCEPÇÃO DA

INSTABILIDADE BÁSICA DE SISTEMAS ALTAMENTE COM-PLEXOS E DA INDERIVABILIDADE

DE ACONTECIMENTOS SISTEMÁTICOS. COMO ADESCONSTRUÇÃO, A TEORIA DE SISTEMAS

CONCEBE O FUNCIONAMENTO DE SISTEMAS NÃO APARTIR DA PERSPECTIVA DE UM SUJEITO,

MAS, ANTES, A PARTIR DE UMA DIFERENÇA OPERATIVA(EMBORA COM CERTEZA ESSA

OPERAÇÃO SEJA CONCEBIDA FUNCIONALMENTE). A TEORIASOCIOLÓGICA DE SISTEMAS

TOMOU EMPRESTADA A TEORIA DA AUTO-ORGANIZAÇÃO BEMCOMO A CONCEPÇÃO DE UM

CAOS DETERMINISTA SOBRETUDO DA BIOLOGIA, AO PASSO QUEA DESCONSTRUÇÃO OS

DESENVOLVEU SEM CONTATO ALGUM COM AS CIÊNCIAS NATURAIS. ATEORIA DE SISTEMAS

INTEGRA PRECISAMENTE A IMPREVISIBILIDADE DOS ACONTECIMENTOSAO FUNCIONAMENTO

DE UM SISTEMA E, COM ISSO, DEMONSTRA SUA FLEXIBILIDADE E CAPA-CIDADE DE

PROCESSAR INFORMAÇÃO E EVOLUIR; OS EFEITOS DO CAOS NO SENTIDO

DADESCONSTRUÇÃO, TODAVIA, SÃO CONCEBIDOS MAIS EM TERMOS DE RUPTURA E

SUBVERSÃODO QUE DE POSSIBILITAÇÃO DO FUNCIONAMENTO E DA EVOLUÇÃO DE UMA

ORDEM COM-PLEXA. PORTANTO, A TEORIA DOS SISTEMAS NÃO ESTÁ ABSOLUTAMENTE

PREOCUPADA EMENFEITAR A PRESENÇA DO CAOS NO SISTEMA COMO ALGUMA FORMA DE

RESISTÊNCIA FILOSÓ-FICA OU POLÍTICA, COMO FAZEM OS ROMÂNTICOS E ALGUNS

DESCONSTRUTIVISTAS.A TEORIA DOS SISTEMAS SOCIOLÓGICOS MOSTRA QUE UMA ORDEM

PURA NÃO EXISTE,NEM PODE OU PRECISA EXISTIR – PELO MENOS COMO UMA ORDEM

IMPERMEÁVEL À DE-SORDEM E AO CAOS. ALÉM DISSO, A ORDEM QUE SIMPLESMENTE EXCLUI

O CAOS FUNCIONAPIOR DO QUE A ORDEM QUE A ELE PERMANECE ABERTA E PARA ELE ESTÁ

SEMPRE ORIENTA-DA, CUJA AUTO-REFERÊNCIA ASSIM PERMITE UMA REFERÊNCIA FLEXÍVEL

AO OUTRO. NO CON-TEXTO DA TEORIA DOS SISTEMAS DINÂMICOS O CAOS É DE FATO

CELEBRADO NO SENTIDO DEUMA “ESTÉTICA DE RISCO (...) COMO O PRÓPRIO MODELO DO QUE

ESTIMULA A VIDA (...)PERIGOS DE INCERTEZAS TRANSFORMAM-SE EM POSSIBILIDADES DE

SURPRESA” (12). NES-SA PERSPECTIVA DE UMA AFIRMAÇÃO DE ABERTURA,

IMPREVISIBILIDADE E RISCO, PODEMOSHOJE DETECTAR A INSTIGANTE PERPLEXIDADE DO

CAOS ROMÂNTICO (13) SEM TERMOS DEABRAÇAR SEU PROJETO DESESPERADAMENTE

UTÓPICO. AS FACES ESCANCARADAS DE HESÍODOE O GRANDE AMONTOADO DE OVÍDIO

TORNAM-SE O ELIXIR NÃO DO DEMÔNIO OU DA ARTE,MAS DE UMA AÇÃO QUE EXITOSAMENTE

SE CONFORMA COM A REALIDADE. ENQUANTO ADESCONSTRUÇÃO INTERPRETA A

DESFIGURAÇÃO E A INDETERMINAÇÃO TEXTUAL – FENÔMENOS ANÁLOGOS AO CAOS –

COMO INEXTRICÁVEL AREIA NA CAIXA DE CÂMBIO DE OPOSIÇÕESMETAFÍSICAS, NA

TEORIA DOS SISTEMAS O CAOS TORNA-SE INSUMO INDISPENSÁVEL E HORI-ZONTE

EVOLUCIONÁRIO DA PRÓPRIA ORDEM.CAOS E BELEZADESDE A ANTIGÜIDADE CLÁSSICA A

DISTINÇÃO DE CAOS E COSMOS TEM EXTREMOVALOR DE LIMITE: AQUELE QUE SEPARA

CAOS E BELEZA. NA PALAVRA GREGA ΚΟΣΜΟ ORDEME BELEZA SE INTERPENETRAM. A ORDEM

HARMONIOSA DOS SONS NA MÚSICA E A HARMONIADAS ESFERAS DO COSMO SÃO, DESDE

PITÁGORAS, PARADIGMAS CENTRAIS DE UM CONCEITODE ORDEM, QUE ESTÁ ALIADO À

BELEZA. A BELEZA REALIZADA EM SONS E FORMAS É AQUELEPREDICADO DA ORDEM EM QUE

A ORIGEM DA ORDEM A PARTIR DO CAOS APARECE MAISSIGNIFICATIVAMENTE SUPERADA,

ATÉ MESMO APAGADA. O FATO DE QUE AFRODITE DEVESEU NASCIMENTO À CASTRAÇÃO DE

UM PAI DIVINO POR SEU FILHO, DE QUE A ESPUMA DAQUAL ELA EMERGE VENHA DA SEMENTE

DE ÓRGÃOS SEXUAIS DESMEMBRADOS EM VEZ DESIMPLESMENTE DO SUAVE ONDULADO

5

ÄGÄIS, FICA ABSOLUTAMENTE NEGADO E OFUSCADONA BELEZA DE SUA FORMA. CONTUDO, A

DEUSA DA BELEZA ATESTA SUA AFINIDADE COM OCAOS NÃO APENAS EM VIRTUDE DE SUA

ORIGEM, MAS TAMBÉM EM SEUS EFEITOS. ELA É OMAIS FORTE ESTÍMULO DE EROS E,

PORTANTO, UM PODER QUE MUITAS E MUITAS VEZESSUPERA O IMPULSO DA

AUTOPRESERVAÇÃO E TRAZ MORTE ÀS SUAS VÍTIMAS. A BELEZA DEHELENA LANÇA TODO UM

MUNDO NA MORTE E NO CAOS; A ATALANTA DE OVÍDIO FAZ COMQUE UMA SÉRIE DE SEUS

PRETENDENTES ACEITEM A SORTE MORTAL QUE ELA OFERECE. DEMANEIRA REALMENTE

PARADIGMÁTICA AS SEREIAS COMBINAM A BELEZA, A PROMESSA DECONHECIMENTO E A

AMEAÇA DE MORTE. A BELEZA APARECE EM TODOS ESSES EXEMPLOSCOMO PARTE DE UMA

ECONOMIA DINÂMICA, NA QUAL A MAIOR DISTÂNCIA DO CAOS FUN-CIONA

SIMULTANEAMENTE COMO AGENTE DE DESTRUIÇÃO DE ORDENS ESTÁVEIS E DE SUANOVA

PRECIPITAÇÃO NO CAOS. (SIMULTANEAMENTE, OS EXEMPLOS AQUI

APRESENTADOSINDICAM A ÍNTIMA CONEXÃO ENTRE O CAOS E O FEMININO.)NIETZSCHE, POR

ESSE MOTIVO, PÔDE ENTENDER A BELEZA DA ARTE GREGA COMOAPARÊNCIA APOLÍNEA,

COMO CONTRAPARTIDA E VÉU DE UMA VIOLÊNCIA DIONISÍACA (14).O PRINCÍPIO

ANTICAÓTICO DE DISTINÇÃO E INDIVIDUAÇÃO E O CAOS DANÇANTE SEM LIMITESE SEM

CONTORNOS SÃO, NESSA VISÃO, CORRELATOS DIRETOS AO INVÉS DE OPOSIÇÕES ESTÁTICAS. DE FATO, DE ACORDO COM NIETZSCHE ELES NÃO TÊM EXISTÊNCIA INDEPENDENTE

SEMSEU RESPECTIVO OUTRO, E A ARTE MUITAS E MUITAS VEZES PRODUZ AS

TRANSFORMAÇÕES ETRANSIÇÕES ENTRE ELES (15). A PODEROSA DINÂMICA E

TRANSITORIEDADE DA BELEZA, OLADO REVERSO DE TODA A APARENTE ESTABILIDADE DA

FIGURA BELAMENTE PROPORCIONAL,TEM SIDO REPETIDAMENTE OBJETO DE REFLEXÃO NA

HISTÓRIA DA ESTÉTICA. EDMUND BURKEENFATIZA ISSO QUANDO OBSERVA QUE “A

BREVIDADE DA VIDA” É UMA CARACTERÍSTICAINTEGRAL DOS OBJETOS QUE NÓS

SENTIMOS MAIS INTENSAMENTE COMO BELOS (16).NA POÉTICA DO SÉCULO XVIIIA BELEZA É,

DESDE O INÍCIO, CONCEBIDA COMOUMA TENSÃO ENTRE ORDEM E DESORDEM. NA ESTÉTICA

FRANCESA E NA DO CLASSICISMOALEMÃO, A ORDEM DOMINA SEM AMBIGÜIDADE, MAS NUNCA

EXTIRPA COMPLETAMENTE, OS ASPECTOS DE DESVIO E DESORDEM, A LINHA

IMPREVISIVELMENTE TORTA. ESSA IMPOR-TÂNCIA DE UNBEAU DÈSORDRE CRESCE CADA VEZ

MAIS À MEDIDA QUE O SÉCULO XVIIISEAPROXIMA DO FIM; NO ROMANTISMO INICIAL ELA

OBTÉM A IGUALDADE COM SUACONTRAPARTIDA, A ORDEM, E ALÉM DISSO ATÉ PREDOMINA

SOBRE ESTA NA POLÊMICA FÓR-MULA “POESIA = CAOS” (17). ANTES DE OS PRIMEIROS

ROMÂNTICOS OFERECEREM A SUR-PREENDENTE SENHA DE “CAOS E SISTEMA” PARA A BELA

INTERAÇÃO DE ORDEM E DESOR-DEM, ESSA INTERAÇÃO ERA NEGOCIADA SOB OUTROS

NUMEROSOS RÓTULOS. UM DOS CON-CEITOS CENTRAIS, ENTRE OS QUAIS O JE NE SAIS QUOI

DA BELEZA MANTEVE UMA CONEXÃO SUBTERRÂNEA COM O CAOS, É O DESPRETENSIOSO

CONCEITO DE MULTIPLICIDADE[MANNIGFALTIGKEIT]. SIMPLIFICANDO, PODE-SE DIZER

QUE O SOBRECARREGADO PARCONCEITUAL DE UNIDADE E MULTIPLICIDADE ARTICULA A

VARIAÇÃO DO PAR CONTRASTANTE DEORDEM E CAOS. PELO MENOS ASSIM ERA PARA

NOVALIS E LUDWIG TIECK, OS QUAIS APER-TARAM TANTO O PARAFUSO DA MULTIPLICIDADE

QUE, NO FIM, ELE JÁ NÃO PODIA MAIS SERINTEGRADO NA UNIDADE DE UMA ORDEM.NESSA

HIPERBOLIZAÇÃO ANTICLÁSSICA QUE ATINGE O PONTO DA ASSIM

CHAMADAMULTIPLICIDADE “INFINITA” FACILMENTE EMERGIU UMA ELABORADA RETÓRICA DO

CAOS E AIDÉIA DE OBRAS QUE, NAS PALAVRAS DE NOVALIS, NÃO DEVERIAM APRESENTAR

“NENHUMACOERÊNCIA” E, PORTANTO, NENHUM “SIGNIFICADO” (18). LUDWIG TIECK

INTERPRETOUESSE ESTILHAÇAMENTO DE UNIDADE E COERÊNCIA DE DUAS MANEIRAS: COMO

UM AJUSTEREALISTA À VIDA QUE SEGUE SEU CURSO DE MODO EXATAMENTE CAÓTICO E SEM

SENTIDO, ECOMO UMA EMANCIPAÇÃO POSITIVA DA LITERALIDADE, LIVRANDO-SE DAS

LIMITAÇÕES DOSIGNIFICADO, COMO A APERCEPÇÃO DE UMA DIMENSÃO DE ABSURDO QUE SE

PROVA POÉ-TICA PRECISAMENTE EM SUA ANARQUIA (19). TAL CARTA BRANCA PARA O CAOS

AO MESMOTEMPO LEVA O MITO HERMENÊUTICO DE UMA COMPREENSIBILIDADE INFINITA AO

SEU PONTOEXTREMO. “A COMPREENSÃO DO CAOS,” F. SCHLEGEL LACONICAMENTE INFORMA

AO NOSSODESEJO DE COMPREENDER, “CONSISTE NO RECONHECIMENTO,” E CONSTITUI “UM

ESTÁGIOELEVADO, TALVEZ O ESTÁGIO FINAL, NA FORMAÇÃO DO ESPÍRITO QUE POR SI

MESMO POSTULAA ESFERA DA INCOMPREENSIBILIDADE E CONFUSÃO” (20).UMA DAS

APERCEPÇÕES PARADOXAIS COM EFEITOS DURADOUROS DA POÉTICA RO-MÂNTICA É QUE O

AUMENTO DO CAOS CAMINHA JUNTO COM O AUMENTO DE UM PRINCÍ-PIO DE ORDENAÇÃO DA

6

ARTE, TÃO ANTIGO QUANTO A PRÓPRIA ARTE: ISTO É, O PRINCÍPIO DOPARALELISMO, DA

DUPLICAÇÃO, DA REPETIÇÃO. OS ROMÂNTICOS JÁ NÃO PRECISAM DE ES-TRATAGEMAS DE

IRREGULARIDADE PARA CONCEBER OS EFEITOS IMPREVISÍVEIS DO CAOS: AN-TES OS

DESCOBRIRAM NA DUPLICAÇÃO INFINITA, NA SERIALIDADE DE REPETIÇÕES. A DUPLICA-ÇÃO

AUTO-REFLEXIVA FOI, PARA ELES, A LEI FUNDAMENTAL DA AUTO-REFERÊNCIA ARTÍSTICA,

EPRECISAMENTE ESSA LEI LHES GARANTIU NÃO UMA ORDEM FECHADA, MAS A ABERTURA

CAÓ-TICA DE OBRAS NA DIREÇÃO DE UM JOGO SEM LIMITES. POIS CADA REPETIÇÃO

SIGNIFICATAMBÉM INTERRUPÇÃO, RUPTURA DE UM MOVIMENTO E NOVO COMEÇO EM LUGAR

DIFE-RENTE, EM TEMPO DIFERENTE, E COM SUPOSIÇÃO DE UM ANTECEDENTE DIFERENTE.

UMAVEZ QUE A REPETIÇÃO ACARRETA DESVIO E DIFERENÇA, PARA OS ROMÂNTICOS A

DUPLICAÇÃO PROGRESSIVA IMPLICA UM FATOR DE CAOS – EXATAMENTE COMO HOJE

NAS EQUAÇÕES, ITERATIVAS DA MATEMÁTICA DO CAOS, NA SIMILARIDADE AUTO-REFLEXIVA

DAS FRACTAIS OU NADESCRIÇÃO BIOLÓGICA DE UM FENÔMENO DE CÓPIA NUNCA

ABSOLUTAMENTE EXATA NAAUTO-REPRODUÇÃO DE ORGANISMOS VIVOS (21).

PARTICULARMENTE, A LEI DA DUPLICAÇÃO REFLEXIVA ABRE UM ESPAÇO GENUINAMENTE

ROMÂNTICO PARA A ANARQUIA POÉTICA ELIBERA FRÊMITOS DE PERPLEXIDADE.TEORIAS

MODERNAS DO CAOSE O CAMPO DAS IDEOLOGIAS POLÍTICO-SOCIAISOS ATUAIS

PESQUISADORES DO CAOS GERALMENTE NÃO SABEM O QUANTO SEUS MO-DELOS BÁSICOS

REPETEM A FILOSOFIA E A ESTÉTICA DO ROMANTISMO INICIAL QUE, POR SUAVEZ, SE

CARACTERIZA PELA ADAPTAÇÃO DE UM LEGADO MÍSTICO. AS CONEXÕES VARIADAS EÓBVIAS

ENTRE A TEORIA DO CAOS E A DOUTRINA DOS NOVOS TEMPOS ECLIPSARAM E OFUS-CARAM A

AFINIDADE SUBTERRÂNEA ENTRE OS NOVOS PARADIGMAS CIENTÍFICOS E O

PROJETOROMÂNTICO INICIAL. O TRIUNFO DO DISCURSO SEMPRE NOVO E VELHO DO CAOS É,

TODAVIA, POR DEMAIS EXTENSO PARA SER ADEQUADAMENTE EXPLICADO COMO UMA MERA

RETOMA-DA HISTÓRICO-INTELECTUAL DO ROMANTISMO OU DO MISTICISMO. É EXATAMENTE

TÃO IM-POSSÍVEL EXPLICÁ-LO SOMENTE COM BASE NA LÓGICA AUTÔNOMA DAS CIÊNCIAS,

PARTICU-LARMENTE PORQUE A SUPERESTRUTURA ESPECULATIVA DA MAIS RECENTE TEORIA

DO CAOS DE-SENVOLVEU-SE EM RAZÃO INVERSAMENTE PROPORCIONAL AO AINDA MINGUADO

ESTOQUEDE SEUS RESULTADOS RIGOROSAMENTE CIENTÍFICOS. ASSIM, DEVE-SE FAZER A

PERGUNTA: QUE EXPERIÊNCIA HISTÓRICA, QUE NECESSIDADE COLETIVA E QUE

DISCURSO TÉCNICO-SOCIALCORRESPONDEM À SÚBITA EXPLOSÃO DE POPULARIDADE DO

CAOS? (22) ESSA MUDANÇA DEENFOQUE DO NÍVEL TEÓRICO PARA O SINTOMÁTICO STATUS

CULTURAL DA TEORIA DO CAOS NÃOPRETENDE ABSOLUTAMENTE NEGAR OU DIMINUIR SEU

ABRANGENTE VALOR CIENTÍFICO, QUEATÉ AGORA NÃO PODE SER CALCULADO COM

EXATIDÃO. POIS TODAS AS REVOLUÇÕES CIENTÍFI-CAS SÃO AFETADAS POR CÓDIGOS

CULTURAIS SECUNDÁRIOS; DE FATO, MUITAS DESSAS REVOLU-ÇÕES SÓ SE TORNAM

POSSÍVEIS POR MUDANÇAS PRÉVIAS NO HORIZONTE CULTURAL. EXATA-MENTE COMO, POR

UM LADO, A TEORIA DO CAOS SERIA IMPOSSÍVEL SEM AS POSSIBLIDADESTÉCNICAS MAIS

RECENTES NO PROCESSAMENTO E SIMULAÇÃO GRÁFICA DE ENORMES QUAN-TIDADES DE

DADOS, ASSIM TAMBÉM, POR OUTRO LADO, SEU SUCESSO NA MÍDIA, SUA PROLIFE-RAÇÃO

QUE BEIRA A HISTERIA PRESSUPÕE UM DISPOSITIF NO ÂMBITO DA CONSCIÊNCIA SOCIAL.EM

TERMOS DE LEBENSWELT A ELEVADA CONSCIÊNCIA DO CAOS É PRIMEIRAMENTEUM

CORRELATO DIRETO DA GLOBALIZAÇÃO DE ORDENS QUE, NAS ÚLTIMAS DÉCADAS,

CRESCEUENORMENTE. AS REDES FINANCEIRAS, INFORMÁTICO-TECNOLÓGICAS E

ECONÔMICAS CRIAMENORMES POSSIBILIDADES DE AÇÃO, MAS TAMBÉM ENORMES

SUSCETIBILIDADES DE RUPTU-RA. UM ERRO NOS COMPUTADORES MILITARES E A CONFUSÃO

SERÁ ABRUPTAMENTE TOTAL.XEQUES ÁRABES FECHAM A TORNEIRA DO PETRÓLEO E

INDÚSTRIAS ESSENCIAIS DO OCIDENTEENTRAM EM PARAFUSO. A CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA

ESTÁ PARTICULARMENTE FAMILIARIZADA COM O EFEITO BORBOLETA: CADEIAS

ALIMENTARES INTEIRAS PODEM SER DESTRUÍDAS PELAREMOÇÃO OU PELO ACRÉSCIMO

ARTIFICIAL DE UM ELO; JÁ NÃO PODEMOS USAR UM RECIPI-ENTE DE AEROSOL SEM PENSAR

NO BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO SOBRE A ANTÁRTICA, SÃO QUALQUER COISA EXCETO

FENÔMENOS CONFORTANTES. APESAR DISSO, A POPULARIDADEREPENTINA DO CAOS

PROVOCA CADA VEZ MENOS EFEITOS DE ANSIEDADE E INCERTEZA. MAISDO QUE TUDO,

ALIVIA E SUAVIZA A DISPOSIÇÃO DAS SOCIEDADES CAPITALISTAS DOS ÚLTIMOSTEMPOS E

LHES DÁ, SIMULTANEMENTE, A EXPECTATIVA TENSA E RELAXADA DE VIVER UMA ÉTICA E

UMA ESTÉTICA DE RISCOS SEMPRE NOVOS: ASSIM, AINDA EXISTE UM

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FUTUROIMPREVISÍVEL, AINDA HÁ HORIZONTES ABERTOS, O DRAMA DO MUNDO AINDA NÃO

CHEGOUÀ CENA FINAL. UM DOS MAIS SURPREENDENTES E IDEOLOGICAMENTE MAIS DENSOS

DESDO-BRAMENTOS DE UMA TEORIA DE SISTEMAS É O FATO DE QUE SEU MODELO DE AUTOORGA-NIZAÇÃO, PRECISAMENTE NA MEDIDA QUE ADMITE INDETERMINAÇÃO E

IMPREVISIBILIDADE, TAMBÉM DESCREVE AS LEIS NATURAIS DA MATÉRIA VIVA, A NATUREZA

DA BELEZA E O MODOFUNCIONAL DAS SOCIEDADES MODERNAS. ESSE TIPO DE MITOLOGIA

MODERNA DO CAOS É OCOMPLEMENTO DO ATUAL RETORNO DE MITOLOGIAS DE POVOS,

NAÇÕES E RAÇAS. AS DUASCOISAS REAGEM DE FORMAS DIAMETRALMENTE OPOSTAS A UMA

EXPERIÊNCIA SEMELHANTEDE DESORIENTAÇÃO E DESLEGITIMAÇÃO. MITOLOGIAS

RESTAURADORAS CONSTRÓEM ESTRUTU-RAS IDEOLÓGICAS DE ORIENTAÇÃO; DE MANEIRA

INVERSA, A TEORIA DO CAOS REDEFINE, SE ASSIM QUISERMOS, O PRÓPRIO MAL COMO

VALOR POSITIVO. CONVIDA-NOS A ACEITAR AINDERIVABILIDADE, A IMPREVISIBILIDADE, A

INCERTEZA E AS TRAJETÓRIAS CAÓTICAS COMO ASPRÓPRIAS CARACTERÍSTICAS DA VIDA E

COMO A OPORTUNIDADE DE LIBERDADE, EM VEZ DEDEPENDER DE ORIGENS ESTÁVEIS E

TELEOLOGIAS. SEM DÚVIDA, ESSA É A OPÇÃO MAIS FILO-SÓFICA E TAMBÉM, CERTAMENTE,

MAIS MODERNA DO QUE AS SEMPRE VELHAS E NOVASMITOLOGIAS DE NAÇÃO, POVO E RAÇA.

MAS, CONTUDO, TAMBÉM ISSO É UMA MITOLOGIA:POIS A IMPREVISIBILIDADE, A

TURBULÊNCIA E AS PRÓPRIAS TRAJETÓRIAS ABERRANTES ESTÃO SETORNANDO PADRÕES

ESTÁVEIS DE REALIDADE E DE EXPECTATIVA. OU, POR OUTRAS PALAVRAS:A PRÓPRIA

ABERTURA SIMPLESMENTE DEIXA DE SER ABERTURA E TORNA-SE, EM VEZ DISSO,

IDEOLOGICIZADA COMO TAL E CONSEQÜENTEMENTE TAMBÉM SUBSTANCIALIZADA.SE POR

UM LADO O PROGRESSO NA ANÁLISE DE PROCESSOS VIVOS É INDISCUTÍVEL, ESUA

TRANSFERÊNCIA PARA A TEORIA DE SISTEMAS SOCIAIS FUNCIONAIS MUITO PLAUSÍVEL,

POROUTRO LADO A LINGUAGEM DE SUA DESCRIÇÃO EM MUITOS TEXTOS DE TEORIA

DO CAOSESCORREGA DIRETAMENTE PARA A IDEOLOGIA. AUTODETERMINAÇÃO, AUTORENOVAÇÃO,OPORTUNIDADE DA INSPIRAÇÃO INDIVIDUAL E CRIATIVA CONTRA A LEI DAS

MASSAS: O ASPECTODE CAOS EM TODA AUTO-ORGANIZAÇÃO, NESSES CONCEITOS, RECEBE A

OUTORGA DE DIGNI-DADE DE UM MODELO ILUMINADO, NEOLIBERAL; ISSO, DEPOIS QUE A

HISTÓRIA FINALMENTENOS EMANCIPOU DE TODAS AS UTOPIAS DE EUDAIMONIAS

PLANEJADAS E DE TODAS AS EXI-GÊNCIAS DO PENSAMENTO TELEOLÓGICO, É

AUTOCOMPLACÊNCIA. COMO O DOPPELGÄNGERDA TEORIA DA AUTO-ORGANIZAÇÃO NÃOMECÂNICA, A TEORIA DO CAOS ESTÁ SE TORNANDOTÁCITA E ABERTAMENTE O PROVEDOR

DE UMA IDEOLOGIA DEPOIS DO FIM DE TODAS ASIDEOLOGIAS. PARA INFORTÚNIO DE

TODAS AS TEORIAS DO CAOS DAS CIÊNCIAS NATURAIS, ELASPENETRAM A CONSCIÊNCIA

GERAL APENAS NA FORMA DESSA EXPLORAÇÃO IDEOLÓGICA, E PARAISSO CONTRIBUEM

PESADAMENTE. SUAS PARENTES NAS HUMANIDADES CORREM O RISCO AINDA MUITO

MAIOR DE BANCAREM O BOBO DO ZEITGEIST, APESAR DE SEUS RESPECTIVOSAVANÇOS NO

CONHECIMENTO. SEJA COMO FOR, ELAS NÃO ESTÃO PRESTES A DAR À LUZ “UMA ESTRELA

DANÇANTE”, COMO NIETZSCHE EXIGIA DAQUELES QUE “AINDA TRAZEM O CAOS DENTRO

DE SI” (23).NOTAS1 NÃO POSSO CONSIDERAR AQUI A IMPORTANTE TEORIA DO CAOS DE

ANAXÁGORAS. CF. OTTO E.RÖSSLER. ENDOPHYSIK. DIE WELT DES INNEREN BEOBACHTERS.

BERLIM, MERVE, 1992. 2 KRITISCHE FRIEDRICH-SCHLEGEL-AUSGABE. VON ERNST BEHLER

UNTER MITWIRKUNG VON JEAN-JACQUES ANSTETT UND HANS EICHNER (ORGS.).

MUNIQUE/PADERBORN/VIENA/ZURIQUE,SCHÖNINGH, 1958 E V. 18, P. 111. 3 IBID., V. 12, P. 5. 4

IBID., V. 11, P. 88. 5 IBID., V. 18, P. 77. 6 CF. F.W.J. SCHELLING. PHILOSOPHIE DER

MYTHOLOGIE, VON SCHELLING, K.F.A. (ORG.), STTUTGART,1856. REIMPRESSÃO:

DARMSTADT, WISSENSCHAFTLICHE BUCHGESELLSCHAFT, 1973, V. 2, P.600-614. 7

KRITISCHE FRIEDRICH-SCHLEGEL-AUSGABE, V. 2, P. 312. 8 CF. IBID., V. 1, P. 221-224. 9

FRIEDRICH SCHLEGEL, LITERARISCHE NOTIZEN 1797-1801. VON HANS EICHNER (ORG.).

FRANK-FURT A. M./BERLIM/VIENA, ULLSTEIN, 1980, N.1881.10 KRITISCHE FRIEDRICHSCHLEGEL-AUSGABE, V. 2, P. 312.11 IDEM, V. 18, P. 277.12 NORBERT BOLZ. DIE WELT ALS

CHAOS UND SIMULATION. MUNIQUE, FINK, P. 18-20.13 KRITISCHE FRIEDRICH-SCHLEGELAUSGABE, V. 2, P. 318.14 CF. FRIEDRICH NIETZSCHE. DIE GEBURT DER TRAGÖDIE, EM: F.N.

SÄMTLICHE WERKE. KRITISCHESTUDIENAUSGABE IN 15 BÄNDEN, VON GEORGIO COLLI

UN MASSIMO MONTINARI (ORG.).MUNIQUE, DTV, 1980, P. 9-156.15 FRIEDRICH CRAMER

TAMBÉM MOSTROU QUE A DESCRIÇÃO FORMAL DA BELEZA COMO UMA PRO-PORÇÃO DA

FORMA NA VERSÃO MATEMÁTICA DA “MÉDIA DE OURO” TENDE A SER EQUIVALENTE A“O MAIS

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IRRACIONAL DE TODOS OS NÚMEROS IRRACIONAIS POSSÍVEIS” (CHAOS UND ORDNUNG.DIE

KOMPLEXE STRUKTUR DES LEBENDIGEN. FRANKFURT A. M., INSEL, P. 201). DEPOIS DISSO ELE

CHEGOU ÀS MESMAS CONCLUSÕES PARA SERES OBJETIVOS DE BELEZA QUE SÃO

PRODUZIDOS ...

DANIEL CHENRAZI AKTALAYA MAITREYA

Características
Número de páginas 121
Edição 1 (2021)
Formato A4 (210x297)
Acabamento Brochura
Tipo de papel Offset 75g

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DANIEL CHENRAZI AKTALAYA MAITREYA

TENHO 144 OBRAS PUBLICADAS , SOU ESCRITOR, AUTOR, FILÓSOFO E PENSADOR BRASILEIRO DANIEL CHENRAZI AKTALAYA MAITREYA danielcam179@gmail.com/

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