O ingresso da Itália no Chifre da África não se deu por meio de uma invasão militar massiva imediata, mas sim através de uma sutil e calculada penetração comercial conduzida por companhias privadas no final da década de 1880. Recém-unificado, o Estado italiano carecia dos recursos financeiros e do apoio político interno necessários para arcar com os custos diretos de uma expansão ultramarina. Diante disso, o governo em Roma optou por delegar a exploração inicial a agentes comerciais. O marco inicial dessa estratégia foi a atuação da Companhia Filonardi, liderada pelo cônsul Vincenzo Filonardi, que firmou os primeiros tratados com os sultanatos locais de Obbia e de Majeerteen. Esses acordos, inicialmente apresentados como pactos de amizade e comércio, gradualmente transformaram as soberanias locais em protetorados submetidos à bandeira italiana, garantindo a Roma o controle sobre portos estratégicos no Oceano Índico sem a necessidade de um engajamento militar formal.
| Número de páginas | 75 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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