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Meu primeiro livro foi Higiene Ética. E tudo começou ali.
Antes do Renderizar, antes de Sycamore e Willow, antes mesmo da teoria da simulação virar meu estudo principal, eu estava tentando responder uma pergunta muito mais simples e muito mais difícil. Como viver com código limpo num mundo que premia o código sujo.
Higiene Ética nasceu como filosofia de vida. Não como regra moral bonita. Como faxina diária. Limpar o pensamento, limpar a fala, limpar a ação. Eu percebi que a gente fala muito de higiene do corpo e quase nada de higiene das escolhas.
Sou filósofo e historiador por formação, pai na prática diária, tenho 40 anos. Mas foi vivendo essa higiene que a pergunta cresceu.
Se eu preciso limpar meu código aqui dentro, quem foi que escreveu o código aqui fora. Essa pergunta me levou para estudos independentes em neurociência e física quântica. Me levou para Platão e seu Demiurgo, para Descartes e seu Gênio Maligno, para os Vedas e Maya, para Zhuangzi e o sonho da borboleta.
Todos levantaram a mesma hipótese com nomes diferentes. E se for uma simulação.
Renderizar é a continuação natural da Higiene Ética. Se no primeiro livro eu falo de como limpar nosso código, neste eu levanto a hipótese sobre por que isso importaria. Se houver um Artista por trás dessa simulação, o que Ele busca. Na minha tese, Ele busca código limpo. E a gente só encontra esse código escondido vivendo com integridade.
Um livro é a prática. O outro é a hipótese por trás da prática.
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