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Sabe aquele garotinho que cerca os pais para lhes contar histórias inacreditáveis? Eu era um desses.
A clássica pergunta que os pais adoram fazer aos filhos "como foi seu dia?" para mim era o gatilho para criar e fantasiar. Nunca era apenas um "foi bom", sempre havia acontecido algum fato improvável e pouco crível. Tornei-me um mentiroso. Mas o que é o escritor senão um grande mentiroso?
O escritor conta fatos que nunca aconteceram, fala sobre coisas que nunca existiram, emociona pessoas com situações e personagens que estão vivos apenas em sua mente. Sim, o escritor é um grande mentiroso, mas um daqueles que usa seus poderes para o bem.
Compreendendo tal coisa, minha mãe, professora de língua portuguesa, decidiu que não iria simplesmente tolher minha capacidade, pelo contrário, deu-me meu primeiro caderno para contar histórias. "Escreva aqui e depois eu leio." Ela era uma mulher muito ocupada, mas sempre tinha tempo para passar os olhos nas minhas pequenas histórias.
Ao longo dos anos brinquei de escrever e enfim me senti seguro para compartilhar com todos as minhas histórias. Espero que gostem do que escrevo, pois estou produzindo material com muito carinho e dedicação.