A mente humana busca ordem no caos por instinto de sobrevivência. Chamamos de coincidência o que não conseguimos calcular, e batizamos de azar os dias em que o mundo parece conspirar contra nós. Mas o acaso é uma ilusão matemática.
As dez histórias registradas neste manuscrito não são eventos isolados. Elas constituem os dez vértices de uma equação geométrica invisível, teorizada pela primeira vez pelo professor Arthur Vance na década de 1970. Vance compreendeu que as anomalias urbanas — um atraso, um objeto perdido, um acidente banal — operam como engrenagens de um relógio cósmico. Quando todos os dez elementos se manifestam de forma síncrona no mesmo perímetro urbano, a realidade local atinge seu limite crítico de entropia. O tempo colapsa, a cidade consome as testemunhas e a lousa da existência é apagada para que o cálculo recomece.
A criação desta antologia nasceu de um desafio estético e estrutural bem definido: costurar dez fragmentos de trivialidades urbanas em uma única tapeçaria de suspense psicológico e sobrenatural. O ponto de partida foi uma lista de situações cotidianas — desde um dente quebrado até um carro que se recusa a pegar —, elementos que normalmente despertariam apenas irritação ou frustração no dia a dia. O objetivo principal foi subverter essa banalidade, transformando o incômodo rotineiro em um sinal de algo muito mais sinistro.
| Número de páginas | 34 |
| Edição | 1 (2026) |
| Idioma | Português |
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