Em agosto de 2012, numa cidade de pouco mais de cinco mil habitantes da província de Zaragoza, uma senhora de oitenta e um anos tentou consertar uma pintura estragada pela umidade. A imagem era um Ecce Homo pintado por volta de 1930 por Elías García Martínez sobre o reboco de uma parede lateral do Santuário da Misericórdia, obra de valor de mercado irrisório e de peso afetivo considerável para quem a via todos os domingos. Cecilia Giménez Zueco pintava por gosto, tinha permissão informal para retocá-la e não escondeu de ninguém o que fazia. O resultado ficou irreconhecível.
Uma nota do Centro de Estudios Borjanos, datada de 7 de agosto e destinada a três dezenas de leitores comarcais, chamou o episódio de hecho incalificable. Em setenta e duas horas a fotografia havia atravessado a imprensa espanhola, a britânica e todas as demais. O rosto passou a se chamar Monkey Christ, Beast Jesus, Ecce Mono. Milhões de pessoas riram ao mesmo tempo, e riram da mesma mulher, que não fazia ideia do que era um meme e que declarou, em rede nacional, estar destroçada. Nenhum tribunal a julgou. O veredicto foi instantâneo, unânime e proferido por gente que jamais estivera em Borja.
Treze anos depois, quando Cecilia Giménez morreu, em 29 de dezembro de 2025, aos noventa e quatro anos, os obituários que percorreram o mundo em menos de um dia contavam outra história. Borja havia recebido, nos anos seguintes ao episódio, um afluxo de visitantes que multiplicou muitas vezes o movimento anterior.
| ISBN | 9786502302620 |
| Número de páginas | 225 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 90g |
| Idioma | Português |
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