Escrever uma biografia é sempre um risco: o risco de reduzir uma vida a datas, fatos e anedotas. Mas escrever sobre Michel de Montaigne é, além de arriscado, um desafio quase impossível, pois se trata de narrar a trajetória de alguém que, em seus próprios escritos, já se antecipou a todo biógrafo. Montaigne fez de sua existência um livro e de seu livro uma existência. Seus Ensaios, escritos no recolhimento de sua torre, são ao mesmo tempo espelho e labirinto: espelho porque refletem suas inquietações mais íntimas, labirinto porque não conduzem a uma saída clara, mas nos deixam vagar entre dúvidas, medos, descobertas e contradições. A tarefa que assumimos, portanto, não é apenas descrever sua vida, mas percorrer com ele os corredores dessa torre simbólica onde fé e dúvida, graça e abismo, silêncio e palavra se entrelaçam.
A França do século XVI, marcada por guerras religiosas e tensões políticas, é o pano de fundo de nossa história. Mas Montaigne não é um personagem que se deixe prender por cenários. Ele é, sobretudo, um viajante interior. Enquanto reis e generais escreviam suas histórias com sangue e pólvora, ele escrevia a sua com tinta e pensamento. Seu grande campo de batalha foi a consciência, e sua grande vitória, talvez, tenha sido a coragem de assumir-se humano demais. Em uma época de fanatismos, Montaigne escolheu o caminho arriscado da moderação; em uma cultura de certezas, ele preferiu a honestidade da dúvida; em um mundo que exigia definições rápidas, ...
| Número de páginas | 97 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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