Há escritores que constroem universos; há outros que desconstroem os mundos já estabelecidos. Franz Kafka não fez nem uma coisa nem outra. Ele ergueu labirintos. Labirintos de linguagem, de silêncio, de metáforas e de angústia. Kafka não é apenas um autor: é uma condição literária e existencial. Sua obra não oferece caminhos lineares, mas espelhos deformados que devolvem ao leitor sua própria imagem sob a forma de processo, de sentença, de metamorfose ou de castelo inacessível. Ler Kafka é entrar em um espaço onde a narrativa nunca se encerra na última página, porque a inquietação continua, como se a história se prolongasse indefinidamente na própria vida do leitor.
Franz Kafka nasceu em 1883, em Praga, no seio de uma família judaica marcada por tensões culturais, linguísticas e religiosas. Desde cedo, experimentou um conflito existencial que o acompanharia por toda a vida: a luta contra a figura paterna. Hermann Kafka não foi apenas um pai severo; tornou-se um símbolo arquetípico da autoridade opressora que permeia seus escritos. A famosa Carta ao Pai transcende a confissão pessoal e converte-se em chave interpretativa de sua obra: ali se desenha a batalha desigual entre a fragilidade do indivíduo e a força esmagadora da autoridade, um tema que se expande nos corredores intermináveis da lei em O Processo e nas muralhas impenetráveis de O Castelo.
Mas Kafka não foi apenas filho de um pai tirânico. Foi também testemunha de um tempo em decomposição. O império austro-húngaro, ..
| Número de páginas | 79 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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