Antes de me conhecer, eu já tinha sido apresentado a Deus. Alguém colocou esse nome nas minhas mãos antes que eu tivesse idade de perguntar se queria carregá-lo. Levei o resto da vida construindo, sozinho, o que fazer com ele.
Comecei a escrever pensando que estava relatando duas noites, duas fogueiras separadas no tempo. Mas ao revisitar tudo com calma, entendi que essas duas noites são só os capítulos mais recentes de uma história muito mais antiga, uma história que começa antes mesmo de eu ter um nome de família, atravessa uma infância cheia de rituais que eu não escolhi, uma adolescência em que quase morri por não conseguir ser quem sou, e solidões de tipos diferentes, até chegar a dois convites que pareciam a mesma coisa, mas eram, na raiz, opostos.
O que este livro tenta registrar, então, não é uma experiência com uma planta sagrada, embora ela também esteja aqui, no fim de tudo. É a arquitetura inteira de uma fé em movimento, o jeito como um homem constrói, desmonta e reconstrói, ao longo de décadas, sua própria ideia do que é divino, do que é humano, e do que conecta ou separa essas duas coisas. O Daime entra tarde nessa história, e entra duas vezes. Antes dele, veio muita coisa. E é dessa muita coisa que este livro, agora, tenta dar conta por inteiro.
| Número de páginas | 214 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 75g |
| Idioma | Português |
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