Sempre acreditei que poderia encontrar o absoluto. Que existiria um livro, uma fórmula, um instante onde tudo se explicasse, onde a verdade se mostrasse inteira, sólida, impenetrável. Sonhei com um momento em que a dúvida se calaria, em que minha busca cessaria, e eu estaria completo. Imaginei uma sensação de plenitude tão perfeita que não deixaria espaço para nada mais, como se a plenitude pudesse ser algo fechado, definitivo, absoluto.
Mas a vida — e a própria escrita — me mostraram o contrário. Toda tentativa de alcançar esse fim me levou aos fragmentos: pedaços dispersos onde repousam minhas falhas, escolhas, impulsos. Percebi que não me encontro no inteiro, mas na fissura; não no que se completa, mas no que ainda falta. São as rachaduras, os intervalos, o que sobra e o que escapa que despertam a minha consciência.
O absoluto não pertence ao mundo. O que existe é o movimento — irregular, impreciso, insistente — que me obriga a rever tudo que julguei saber. É nesse deslocamento que me reconheço.
| ISBN | 9786501858470 |
| Número de páginas | 168 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Preto e branco |
| Tipo de papel | Offset 75g |
| Idioma | Português |
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