Multae Formae Spirituum Do Antigo Egito à Quimbanda Brasileira investiga a persistência de um arquétipo humano ao longo de milênios: a figura do guardião das águas liminares. A tese central é que culturas separadas por oceanos e séculos desenvolveram respostas funcionalmente semelhantes diante de um mesmo desafio cosmológico dar forma espiritual às forças do mar sem que isso implique identidade entre tradições ou transmissão histórica direta.
A jornada percorre a Antiguidade: o Nun egípcio como matriz silenciosa da existência, Tiamat mesopotâmica como caos que precisa ser vencido, e o Poseidon greco-romano como um mar domesticado, mas nunca inteiramente controlado. Leviatã serve de ponte entre esse mundo antigo e o Ocidente cristão, rastreando como potências cosmológicas ambivalentes foram transformadas em símbolos do mal processo com consequências diretas no julgamento colonial sobre as entidades afro-brasileiras.
A obra então atravessa o Atlântico. A matriz bantu revela o conceito de Kalunga o oceano como fronteira entre vivos e mortos. A diáspora é tratada como travessia real do arquétipo: africanos escravizados transportaram suas cosmologias, e o Atlântico tornou-se, ele próprio, um Kalunga vivido.
O livro culmina em Exu Maré na Quimbanda brasileira produto original da diáspora, enraizado na tradição. O guardião das águas não desaparece. Ele se transforma, assume novos nomes e emerge, no Brasil, com força e fundamento próprios.
| Número de páginas | 92 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Capa dura |
| Tipo de papel | Couche 90g |
| Idioma | Português |
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