Há histórias que começam com um crime. Outras começam com uma morte, uma traição, uma guerra ou uma catástrofe. Esta começa antes de tudo isso: começa com uma injustiça.
E talvez seja por isso que O Crucificado seja uma história tão desconfortável.
Seu protagonista não nasce monstruoso. Não é um homem movido pelo prazer da violência, nem alguém que tenha feito da crueldade uma forma de existência. É, antes, um homem comum. Um desses homens que atravessam os dias acreditando que, apesar das contrariedades, há alguma ordem no mundo; que as instituições existem para reparar os danos; que a verdade, ainda que tarde, encontra alguma forma de prevalecer.
Não comecei pela cruz. Ninguém começa. Começa-se aceitando pequenas injustiças, esperando que alguém as reparasse. Depois, esperando menos. Depois, não esperando mais nada. Quando percebi que havia comprado o primeiro prego, já não sabia dizer em que momento deixara de procurar justiça para tentar construí-la com as próprias mãos. E ainda sim, seria uma justiça falha.
Uma justiça de morte. E morte de cruz.
| Número de páginas | 66 |
| Edição | 1 (2026) |
| Formato | A5 (148x210) |
| Acabamento | Brochura c/ orelha |
| Coloração | Colorido |
| Tipo de papel | Polen |
| Idioma | Português |
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